ZAP // NASA; ext. Dall-E-2

A Lua na magnetocauda da Terra, conceito artístico

A Lua não tem uma atmosfera propriamente dita, mas a Terra tem, de certa forma, tentado partilhar a sua há milhares de milhões de anos. Um novo estudo conclui que o campo magnético do nosso planeta poderá estar a canalizar partículas da atmosfera terrestre para a superfície lunar.

Uma abundância surpreendente de elementos voláteis tem sido detetada no regolito lunar, o pó fino e rochoso que cobre a superfície da Lua, desde que os astronautas da missão Apollo trouxeram amostras para a Terra.

O vento solar é uma das possíveis fontes destes voláteis, mas, por si só, não consegue explicar os níveis observados, sobretudo no caso do azoto. Pequenos meteoritos a embaterem na Lua poderão também estar a alterar a superfície lunar.

A atmosfera da Terra tem igualmente sido apontada como uma fonte potencial, mas partia-se do pressuposto de que isso só teria sido possível antes de o campo magnético do planeta se ter desenvolvido; uma vez estabelecido, esse campo teria aprisionado a maioria das partículas atmosféricas.

Um novo estudo, conduzido por astrofísicos da Universidade de Rochester, e publicado na semana passada na Nature Communications Earth & Environment, analisou essa ideia.

A equipa simulou dois cenários para perceber qual se ajustava melhor aos dados: um modelo de “Terra primitiva”, sem campo magnético e com um vento solar mais intenso, e um modelo de “Terra moderna”, com um campo magnético forte e um vento solar mais fraco.

De forma algo inesperada, o cenário da Terra moderna foi o que melhor explicou os resultados. O vento solar arranca partículas carregadas da atmosfera, fazendo com que estas sigam ao longo das linhas do campo magnético do planeta.

A magnetosfera da Terra não é, como o nome pode sugerir, uma esfera perfeita. Pelo contrário, tem uma forma mais semelhante à cauda de um cometa, devido à pressão constante do vento solar. E quando a Lua atravessa essa “cauda”, parte dessas partículas é depositada na superfície lunar, explica o Science Alert.

Estudos anteriores já tinham sugerido que um mecanismo semelhante poderia estar a transportar oxigénio para a Lua, contribuindo para a formação de água e até a fazer com que a Lua esteja a enferrujar.

Os resultados do novo estudo sugerem agora que este processo tem decorrido ao longo de milhares de milhões de anos, dando tempo suficiente para que estas partículas voláteis se acumulem no regolito lunar.

E, dado que a atmosfera da Terra mudou drasticamente ao longo desse período, é possível que a superfície da Lua preserve uma valiosa cápsula do tempo — com dados históricos sobre a evolução do nosso planeta e do seu satélite natural.


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