O bloqueio regulatório imposto tanto pelos Estados Unidos como pela União Europeia ao negócio com a Amazon acabou por empurrar a pioneira dos aspiradores autónomos, a iRobot, para a órbita de Pequim.
iRobot em dificuldades levanta alertas sobre privacidade dos dados domésticos
A iRobot, pioneira no desenvolvimento de aspiradores autónomos, declarou insolvência, numa situação que está a gerar forte preocupação em torno da privacidade e do controlo dos dados recolhidos dentro das casas dos utilizadores.
Com a empresa a passar para o controlo de entidades ligadas à China, os mapas detalhados de milhões de habitações podem ficar acessíveis fora dos países de origem, levantando questões de segurança e soberania digital.
O bloqueio ao negócio com a Amazon
A crise da iRobot foi agravada por entraves regulatórios nos Estados Unidos e na União Europeia, que acabaram por inviabilizar a aquisição da empresa pela Amazon.
Sem essa solução, a fabricante viu-se forçada a procurar alternativas de financiamento e controlo, acabando por recorrer a compradores associados ao mercado chinês. Esta mudança reacendeu o debate sobre quem detém, afinal, a informação sensível recolhida por dispositivos inteligentes dentro das casas.
Mapas das casas e padrões de utilização
Os aspiradores robóticos modernos não se limitam à limpeza. Criam plantas detalhadas das habitações, identificam divisões e registam padrões de deslocamento e horários de utilização.
Especialistas em cibersegurança alertam que este tipo de informação pode ser explorado para fins comerciais, mas também ter valor estratégico, sobretudo se agregada em grande escala.
Um problema de geopolítica digital
O caso da iRobot evidencia como dispositivos ligados à Internet das Coisas se tornaram peças relevantes no tabuleiro geopolítico.
A transferência de controlo de empresas tecnológicas implica, muitas vezes, a transferência indireta de grandes volumes de dados pessoais, colocando os cidadãos no centro de disputas entre blocos económicos e políticos.
Consumidores e reguladores sob pressão
Perante este cenário, cresce a pressão sobre autoridades reguladoras para reforçarem a legislação de proteção de dados, garantindo que a informação recolhida em contexto doméstico continua protegida, mesmo quando empresas mudam de mãos ou entram em processos de insolvência.
Para os consumidores, o caso serve também de alerta para a importância de compreender que dados são recolhidos pelos equipamentos inteligentes que utilizam diariamente.

