Gorodenkoff / Depositphotos

Porque é que as pessoas em Itália, em particular, vivem mais do que a maioria? Segundo amostras de ADN, a resposta está na sua ancestralidade genética, e num ditado popular: o que não mata pode tornar-nos mais fortes.

Um novo estudo recuou até ao passado pré-histórico para tentar perceber porque é que há atualmente pessoas com 100 anos ou mais que continuam vivas.

Trabalhos anteriores já tinham identificado genes específicos associados a uma maior longevidade. Mas o novo estudo, publicado na semana passada na GeroScience, foi mais longe, e investigou se as populações antigas entram nesta equação complexa, em que genética, ambiente e estilo de vida influenciam, em conjunto, a duração da vida.

Os centenários em Itália, país com uma das maiores percentagens de centenários do mundo, partilham uma ligação genética: descenderiam dos caçadores-recolectores da Europa ocidental, considerados os primeiros habitantes da europeus após a Idade do Gelo.

Assim, em condições particularmente duras e em circunstâncias pouco favoráveis, estes europeus pré-históricos ter-se-ão adaptado para sobreviver e acabaram por deixar uma marca no tempo, transmitindo genes que, hoje, estariam a ajudar os italianos modernos a ultrapassar os 100 anos.

Há um ditado que resume a ideia: o que não mata pode tornar-nos mais fortes — e, por extensão, também a quem vem a seguir.

Avanços recentes na paleogenómica tornaram possível este tipo de comparação cruzada entre genomas modernos e ADN antigo.

Segundo a Archaeology Mag, os investigadores analisaram 333 centenários italianos e compararam a sua composição genética com 103 genomas antigos, associados a diferentes ancestralidades europeias do passado, para investigar se, e em que medida, populações ancestrais antigas poderão ter contribuído para a base genética da longevidade humana.

Não surpreende que existam variações entre os genes deste grupo de centenários. Ainda assim, a equipa encontrou uma semelhança marcante: apresentavam uma ligação genética mais forte aos caçadores-recolectores ocidentais, e essa ligação estende-se à população italiana em geral.

O estudo permitiu identificar que por cada pequeno aumento no ADN de caçadores-recolectores, as probabilidades de uma pessoa se tornar centenária subiam 38%, e, salienta a Phys, este efeito pronunciado parece favorecer as mulheres.

Além disso, ao analisarem a distribuição genética ao nível dos cromossomas, os investigadores concluíram que a explicação não está ligada a factores demográficos, mas sim a mecanismos biológicos que se terão desenvolvido, ao longo do processo evolutivo, quando estes grupos saíram da Idade do Gelo — alterando a sua constituição genética.

Essas populações antigas teriam sido forçadas a evoluir perante a adversidade. O corpo humano teria de reforçar os mecanismos de defesa e a produção de energia. Como resultado, teriam transmitido genes mais robustos às gerações futuras — uma ideia que sugere que os períodos mais difíceis podem deixar um legado positivo, e não apenas a herança do trauma.


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