Cláudio Valente, que na última segunda-feira disparou quatro tiros contra o físico português Nuno Loureiro, professor do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), e responsável pelo atentado à Universidade de Brown no sábado, estaria a planear os crimes há pelo menos dez meses, segundo as autoridades norte-americanas, que apuraram que no último ano o suspeito viajou da Florida, onde vivia, até Boston, pelo menos quatro vezes.

A primeira viagem foi a 12 de Fevereiro e durou apenas quatro dias. Em Abril, Cláudio Valente voltou a deslocar-se até Boston, onde ficou durante 17 dias. Viajou novamente entre 26 de Outubro e 16 de Novembro, tendo regressado a Miami e voltado para Boston um dia depois (17 de Novembro), onde ficou durante mais nove dias. Informações, estas, segundo o jornal The New York Post. O quinto regresso a Boston é o dos crimes.

Estas visitas a Boston tinham o intuito de preparar o plano que resultou no homicídio de Nuno Loureiro, que morreu na terça-feira, já depois de ter dado entrada no hospital, e no ataque a tiro na Universidade de Brown, que matou dois estudantes e feriu outras nove pessoas, de acordo com as autoridades.

Em Miami, o suspeito deslocava-se com veículos alugados e chegou a viver em várias casas. Segundo as autoridades norte-americanas, uma das suas últimas moradas estava registada em nome do seu pai, de 91 anos.

O suspeito é antigo aluno de doutoramento da Universidade Brown, tendo sido aí admitido para estudar física há mais de 20 anos, em 2000, mas pouco depois (em 2001) abandonou o douramento.


Cláudio Valente foi encontrado morto na noite de quinta-feira com um ferimento de bala auto-infligido. De acordo com a autópsia, o suspeito dos crimes terá morrido terça-feira, um dia depois de ter baleado Nuno Loureiro, de quem foi colega no Instituto Superior Técnico de Lisboa, entre 1995 e 2000, quando eram ambos estudantes da licenciatura em Engenharia Física Tecnológica.

A Polícia Judiciária portuguesa afirmou, em comunicado, que se encontra a prestar colaboração e apoio às autoridades dos Estados Unidos, “desde o momento inicial em que o suspeito se tornou, para aquelas [autoridades], alvo de interesse”​. As autoridades norte-americanas acreditam que Cláudio Valente planeou os crimes ao pormenor, mas as suas motivações ainda são desconhecidas.

Texto editado por Teresa Firmino