Apesar da enorme expressão portuguesa na cidade, sobretudo na Cambridge Street, Fernando Gomes diz que já nada é como era quando chegou. “A maior parte da rua, 90%, eram portugueses. Havia pequenas lojas de portugueses: restaurantes, supermercados pequenos. Mas o pessoal mais novo agora já não quer a comida portuguesa, não quer bacalhau, não quer chouriço”, indigna-se o português que recusa comparações com o futebolista homónimo: “sou benfiquista”.
Aproveita um momento mais calmo do dia para falar ao Observador, enquanto tem apenas duas mesas ocupadas e, como som de fundo, o debate entre Catarina Martins e Jorge Pinto. Durante a semana, o entra e sai de clientes é constante e a presença de portugueses é tão notada que o dono daquele estabelecimento há 30 anos assume como provável a presença de Nuno Loureiro naquele espaço.
“Há muitos portugueses que vêm aqui do MIT. Talvez ele tivesse vindo aqui várias vezes, mas passa tanta gente que eu não fixo”. Independentemente de ter tido o físico sentado na Casa Portuguesa decorada com azulejos e desenhos de Amália Rodrigues, Fernando assume dois choques. Primeiro, pela morte; depois, pela nacionalidade do suspeito.
“Os portugueses aqui estão bem adaptados e ninguém imaginava que fosse um português. Quando vi a notícia na televisão americana, até pensei que fosse da América Latina ou espanhol, por causa do nome. Mas depois confirmaram que era um português. Aí uma pessoa fica sempre em choque, ‘you know’?”, relata, com algumas expressões inglesas, mas sem perder o sotaque algarvio com que chegou aos EUA.
A rua larga e com quase quatro quilómetros está cheia a um domingo, com a estrada cheia de carros grandes e os passeios com pessoas que fazem as últimas compras de Natal ou param para descansar nos restaurantes. Os nomes portugueses vão-se repetindo: dentista Alegria, agência imobiliária Ribeiro de Sousa, ourivesaria Pacheco, Club Lusitânia e a Igreja de Santo António (no cruzamento da Cambridge Street com a avenida Cardeal Medeiros, em homenagem ao açoriano que foi arcebispo de Boston na década de 70 do século XX).