“Não temos condições para baixar impostos. Temos que ter orçamento para investimento e não temos”, disse esta segunda-feira a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, durante a reunião da Assembleia Municipal em que deixou claro que a receita fiscal que a autarquia recebeu de IMI “é para saldar dívidas”.

“Devemos um milhão à SUMA (empresa de recolha de lixo urbano e meio ambiente) e um milhão e meio às Águas de Coimbra”, disse a autarca, enquanto informava que, no primeiro caso, “só os juros de mora já iam em 300 mil euros”. Ana Abrunhosa respondia nesse ponto a uma intervenção de um deputado da bancada do Chega, que alertava para o excesso de litigância que envolve a autarquia, e que haveria de receber a concordância da presidente.

Ana Abrunhosa disse estar a fazer “um grande esforço para captar investimento”, sem se coibir de afirmar, mais do que uma vez, que em certas matérias já fez mais num mês e meio do que o anterior executivo em quatro anos. “Não podemos continuar com serviços públicos em que todos os anos a Câmara cobre buracos. Só no caso dos SMTUC (transportes urbanos de Coimbra) são 15 milhões de euros “, sublinhou.

Mas um dos pontos que haveria de marcar a última reunião da Assembleia Municipal do ano foi o novo quadro de pessoal da autarquia, aprovado durante a manhã, em reunião do executivo. A deputada do Bloco de Esquerda, Maria Paixão, questionara a presidente sobre o corte anunciado de 60 postos de trabalho, e queria saber qual foi o critério. A pergunta deu azo a uma intervenção de Ana Abrunhosa que deixou a nu as fragilidades financeiras que – garante – afligem a Câmara. “O mapa de pessoal previa 2565 trabalhadores. Baixámos para 2512. Não sei o que é que ainda não entenderam. Não há dinheiro!”, afirmou a presidente, aproveitando a ocasião para dissertar sobre a necessidade de alterações mais profundas na estrutura orgânica da Câmara. “Temos que introduzir na gestão do município maior flexibilidade. As necessidades numa Câmara mudam radicalmente de um ano para o outro”, enfatizou, acrescentando que, na Câmara de Coimbra, “os recursos humanos representam 22,2% do orçamento. É um peso excessivo”.

Mas as preocupações de Ana Abrunhosa centram-se também noutras questões. “Coimbra está no século passado no que toca às questões ambientais. Temos que fazer um grande investimento”, disse a presidente, que aproveitou a reunião da Assembleia para partilhar o que vira, dias antes, no que respeita à salubridade: “Os cidadãos que depositam sacos do lixo fora dos contentores. Eu própria fotografei. O problema é que o cidadão que se queixa da limpeza é o mesmo que atira piriscas para o chão e deixa o lixo no passeio”, afirmou, justificando que “nem sequer são pessoas de um bairro social, mas antes de uma zona com poder de compra”. “Não há literacia que supere a falta de urbanidade”, concluiu, deixando a ideia de que o cenário “exige uma grande reorganização nos serviços municipais”.

A reunião ficou ainda marcada pela aprovação de três moções do Chega (voto de louvor aos profissionais do Hospital dos Covões, que perdeu o serviço de urgência recentemente; voto de saudação à Obra de Promoção Social do Distrito de Coimbra e ainda um voto de recomendação com vista à requalificação integral da esquadra da PSP na baixa de Coimbra) e também de uma moção da CDU exortando a Câmara a elaborar um plano de reabilitação dos edifícios devolutos. O tema haveria de servir de mote a uma outra intervenção de Ana Abrunhosa, particularmente no que respeita à habitação, deixando claro que não vai aceitar os termos em que o IHRU (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana) está a executar o programa de habitação 1º Direito. “Foi um erro grave do PS que a AD está a continuar”, disse a presidente, frisando que não vai aceitar “que seja o IHRU a fazer a política municipal de habitação em Coimbra”. “Não vou aceitar a forma provinciana como olham para nós, as decisões que tomam e afectam o nosso território e nem sequer nos têm em conta”, disse.