A Air India confirmou ter perdido o rasto de um Boeing 737-200 por mais de uma década, até que a aeronave foi descoberta no mês passado num estacionamento remoto do aeroporto de Calcutá. O avião de carga estava estacionado no local desde 2012, após ter sido retirado de serviço, mas desapareceu dos registos da companhia aérea.

Durante anos, relatou a publicação ‘The Independent’, as autoridades aeroportuárias continuaram a cobrar taxas de estacionamento e a emitir faturas à Air India. A companhia contestou essas cobranças, alegando que não tinha registo da aeronave no local. A situação só mudou após um pedido formal do aeroporto para remover o avião, levando o diretor executivo da Air India, Campbell Wilson, a reconhecer internamente a falha.

“Embora o descarte de uma aeronave antiga não seja incomum, este caso é único – trata-se de um avião que nem sabíamos que possuíamos até recentemente”, afirmou Wilson. O executivo explicou que a aeronave caiu no esquecimento e só foi identificada quando o aeroporto de Calcutá solicitou a sua remoção.

O Boeing 737-200 começou a sua vida na Indian Airlines e foi incorporado na Air India após a fusão em 2007. Mais tarde, foi convertido para transporte de carga e arrendado aos Correios da Índia antes de ser retirado de serviço. Durante sucessivas reestruturações, incluindo a privatização da Air India em 2022, o avião foi repetidamente omitido dos registos internos, o que explica o seu desaparecimento dos inventários oficiais.

Valor e reaproveitamento

O modelo 737-200, da primeira geração do Boeing 737, já estava aposentado do serviço de passageiros há várias décadas. Apesar de ter pouco valor de revenda, alguns componentes, como os motores Pratt & Whitney, ainda podem ser reutilizados. O avião foi finalmente removido em 14 de novembro e transportado por via terrestre para Bengaluru, onde será utilizado para treino de engenharia em solo. O espaço que ocupava em Calcutá será destinado a novos hangares.

Lacunas na fiscalização

Analistas alertam que a situação é invulgar, pois aeronaves paradas normalmente representam custos e são cuidadosamente monitorizadas. John Strickland, especialista em aviação, explicou que os históricos de manutenção e números de série são geralmente controlados com rigor. No entanto, o aeroporto de Calcutá já removeu 14 aeronaves inativas nos últimos cinco anos, evidenciando falhas na fiscalização de aviões abandonados e disputas de propriedade não resolvidas. A Air India concordou em pagar cerca de 10 milhões de rupias (83.362 libras) em taxas acumuladas.