A Polícia Judiciária (PJ) deteve este domingo, 22 de Dezembro, no Porto o advogado Paulo Topa, confirmou à Lusa fonte da polícia, tendo a diligência ocorrido no âmbito de uma investigação por desvio de fundos.
A detenção ocorre dias depois de a SIC noticiar que o advogado e três administradores de insolvência são suspeitos de desviar 10 milhões de euros de empresários em falência. Ao longo de uma década, o advogado terá participado na criação de 50 empresas de fachada, elaborando créditos falsos e aliciado pessoas vulneráveis, incluindo um sem-abrigo, para servirem como testas-de-ferro.
Em comunicado, a Judiciária confirma que a detenção visou acautelar o risco de fuga e foi feita na sequência do mandado de detenção emitido pelo DIAP Regional do Porto, que indiciou o advogado pela prática dos crimes de corrupção activa, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, pelos quais havia sido já detido por duas vezes.
A investigação da PJ incide sobre a actuação concertada do suspeito, interveniente em processos de insolvência e ou de recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais, como advogado, actuando conjuntamente com outros dois suspeitos, também detidos pela PJ em Abril passado, no desenvolvimento de um esquema criminoso que permitiu beneficiar os insolventes e viabilizar a apropriação de património pelos próprios ou a favor de terceiros, em prejuízo dos credores.
No esquema eram envolvidas pessoas singulares ou colectivas da sua confiança, que se apresentavam com créditos fictícios e documentação forjada, nomeadamente contratos que têm por objecto os respectivos bens imóveis ou alvarás de estabelecimento, créditos esses imediatamente reconhecidos sem estarem devidamente demonstrados.
Tais créditos fictícios, além de permitirem a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis, asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, para que os devedores pudessem tirar proveito dos seus efeitos, suspendendo a acção dos reais credores e dissipando o património existente.
No site da Ordem dos Advogados, a cédula profissional de Paulo Topa surge como estando inactiva.
Paulo Topa será ouvido no primeiro interrogatório judicial nas 48 horas após a detenção, o que deverá ocorrer até terça-feira no Tribunal de Instrução Criminal do Porto.