Especialistas alertam que clicar num link fraudulento pode custar mais caro do que uma encomenda perdida.

Com a aproximação do Natal e o aumento das compras online, milhões de consumidores aguardam ansiosamente pelas suas encomendas e acompanham o estado das entregas. Este cenário cria o ambiente ideal para os cibercriminosos, que intensificam o envio de mensagens fraudulentas que imitam comunicações de empresas de entrega legítimas. Normalmente, estas mensagens indicam problemas fictícios com a entrega ou exigem uma ação imediata por parte do cliente, levando-o a clicar em ligações perigosas.

Segundo dados da ferramenta Proteção Contra Ameaças Pro™ da NordVPN, o número de sites maliciosos que se fazem passar por serviços postais aumentou 86% no último mês. Entre as marcas mais visadas, a DHL destacou-se como a mais falsificada, registando um crescimento de 206% no número de sites fraudulentos em comparação com o mês anterior.

As burlas associadas aos Correos cresceram 77%, enquanto o grupo DPD ocupou o segundo lugar entre as marcas mais imitadas, apesar de um aumento mais moderado de 16%. Já o Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS) foi a terceira marca mais visada, mas apresentou o crescimento mensal mais expressivo, com um aumento impressionante de 850% nos sites falsos.

Para Marijus Briedis, diretor de tecnologia da NordVPN, os esquemas estão a tornar-se cada vez mais sofisticados. “Os burlões estão a evoluir a um ritmo sem precedentes, recorrendo à inteligência artificial não só para automatizar ataques, mas também para torná-los extremamente convincentes. “No auge da época de compras natalícias, os consumidores devem manter-se vigilantes contra esquemas de phishing cada vez mais sofisticados que visam os serviços de entrega.”

Burlas por SMS em forte crescimento

Um estudo da NordVPN revelou que 38% dos inquiridos já foram confrontados com burlas relacionadas com entregas, muitas delas através de mensagens de texto. Esta prática, conhecida como smishing, contorna os filtros de spam dos e-mails e chega diretamente ao telemóvel, onde os utilizadores tendem a agir com menos cautela e a confiar mais nos alertas recebidos.

As perdas financeiras associadas a este tipo de fraude continuam a aumentar. Dados da Federal Trade Commission (FTC) indicam que, só em 2024, os consumidores perderam cerca de 470 milhões de dólares (cerca de 400 milhões de euros) em esquemas via mensagens de texto — um valor cinco vezes superior ao registado em 2020. As falsas notificações de entrega estão atualmente entre as fraudes mais comuns e lucrativas, sobretudo durante a época natalícia.

A elevada taxa de abertura das mensagens de texto, que pode chegar aos 98%, contribui para o sucesso destes esquemas. Relatórios recentes mostram que muitas mensagens fraudulentas alegam que as encomendas estão “retidas” devido a taxas alfandegárias ou tarifas pendentes, pressionando os destinatários a clicar em links maliciosos por receio de não receberem os presentes a tempo do Natal.

Como evitar fraudes de entrega

Os especialistas aconselham cautela perante qualquer notificação de entrega inesperada. Evite clicar em links enviados por SMS ou e-mail e insira sempre o número de rastreio diretamente no site ou na aplicação oficial da transportadora. Mensagens que exigem “ação imediata” devem levantar suspeitas, uma vez que as empresas legítimas raramente solicitam pagamentos urgentes através de ligações aleatórias.

É igualmente importante verificar cuidadosamente o remetente. Os burlões recorrem frequentemente a técnicas de spoofing, alterando ligeiramente números de telefone ou endereços web para parecerem autênticos. Caso receba uma mensagem a pedir pagamentos adicionais ou dados pessoais para desbloquear uma encomenda, o mais seguro é contactar diretamente a transportadora ou reportar a situação às autoridades competentes.

Segundo Tomas Sinicki, diretor-geral da NordProtect, cair numa destas burlas vai muito além da perda de dinheiro ou de presentes. “Quando dados pessoais, informações bancárias ou credenciais de acesso são comprometidos, o utilizador fica exposto a novos esquemas de fraude, extorsão e perdas financeiras graves. Num cenário em que a falsificação de marcas continua a crescer, a proteção adequada e a vigilância constante tornam-se cada vez mais essenciais”, conclui.