O presidente dos EUA disse várias vezes ao longo dos anos que a Gronelândia, um território dinamarquês que agora é amplamente autónomo, deveria se tornar parte dos EUA, citando razões de segurança e interesse nos recursos minerais da ilha ártica. Landry, também do Partido Republicano, elogiou a ideia.

epa12582037 US President Donald Trump walks on the South Lawn of the White House after arriving on Marine One in Washington, DC, USA, 09 December 2025. Trump said people were ‘starting to learn’ the benefits of his tariff regime as he sought to convince voters his administration was moving to address affordability concerns, taking to the road in hopes of countering a mounting political vulnerability. EPA/Graeme Sloan / POOL

O presidente dos EUA, Donald Trump, nomeou no domingo, dia 21, o governador do Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Gronelândia, gerando uma nova crise com a Dinamarca.

Trump disse várias vezes ao longo dos anos que a Gronelândia, um território dinamarquês que agora é amplamente autónomo, deveria se tornar parte dos EUA, citando razões de segurança e interesse nos recursos minerais da ilha ártica. Landry, também do Partido Republicano, elogiou a ideia.

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, disse nesta segunda-feira, dia 22, que convocaria o embaixador dos EUA em Copenhaga, afirmando que ficou particularmente preocupado com o apoio de Landry ao objetivo de Trump de tornar a Gronelândia parte dos Estados Unidos. O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, reiterou que a ilha decidirá o seu próprio futuro.

“Jeff [Landry] entende como a Groenlândia é essencial para a nossa segurança nacional, e promoverá fortemente os interesses do nosso país para a segurança, proteção e sobrevivência dos nossos aliados e, de facto, do mundo”, escreveu Trump em numa publicação na sua rede, a Truth Social.

A Casa Branca não comentou.

Landry, que assumiu o cargo de governador do Louisiana em janeiro de 2024, agradeceu a Trump no X, dizendo: “É uma honra servir… nesta posição voluntária para tornar a Gronelândia parte dos EUA. Isso não afeta de forma alguma a minha posição como governador do Louisiana!”

A Gronelândia e a Dinamarca vêm rechaçando essa ideia. “Estou profundamente indignado com esta nomeação de um enviado especial. E estou particularmente preocupado com as suas declarações, que consideramos completamente inaceitáveis”, disse o chanceler dinamarquês a uma emissora local.

Anteriormente, numa declaração por email à agência de notícias Reuters, Rasmussen afirmou que “todos, incluindo os EUA, devem mostrar respeito pela integridade territorial do Reino da Dinamarca”.

O primeiro-ministro da Gronelândia disse numa publicação no Facebook: “Acordamos novamente com um anúncio do presidente dos EUA. Isso pode parecer grande, mas não muda nada para nós. Nós decidimos o nosso próprio futuro.”

Aaja Chemnitz, membro gronelandês do Parlamento dinamarquês, disse que a nomeação de um enviado dos EUA não era em si um problema. “O problema é que ele recebeu a tarefa de tornar a Gronelândia parte dos Estados Unidos, e não há desejo disso na Gronelândia”, disse à Reuters. “Há um desejo de respeitar o futuro que a maioria na Groenlândia quer, ou seja, permanecer seu próprio país e desenvolver a sua independência ao longo do tempo.”

Procurando aliviar as tensões com o governo Trump ao longo do último ano, a Dinamarca, aliada dos Estados Unidos na NATO, concentrou-se em fortalecer a defesa da Gronelândia em resposta às críticas de Washington sobre segurança inadequada.

A Gronelândia, antiga colónia dinamarquesa e lar de cerca de 57 mil pessoas, detém o direito de declarar independência da Dinamarca desde 2009. A sua economia depende fortemente da pesca e de subsídios de Copenhaga, e a ilha está estrategicamente localizada ao longo da rota mais curta entre a Europa e a América do Norte, uma localização vital para o sistema de defesa antimíssil balístico dos EUA.