Desde 1978, ano do seu primeiro disco a solo, Chris Rea lançou 25 álbuns e foi responsável por vários êxitos, sobretudo no seu Reino Unido natal. Driving home for Christmas, On the beach, Auberge ou Road to hell (Pt. 2) são algumas das canções que compôs, tocou e cantou. O músico britânico morreu esta segunda-feira no hospital em que estava internado, aos 74 anos, na sequência de “uma doença breve”, informou o representante da família.

Nascido em Middlesbrough, filho de um italiano proprietário de gelatarias e de uma fábrica de gelados, onde Chris trabalhou, e de uma irlandesa, começou a tocar guitarra só depois dos 20 anos, fascinado pelos blues e com um gosto especial pela guitarra com slide. Passou por várias bandas, incluindo os The Beautiful Losers, onde se destacou o suficiente para assinar pela editora Magnet Records, na qual se estreou no final dos anos 1970.

O sucesso a sério veio com o disco de 1985, Shamrock Diaries, que o pôs no topo das tabelas britânicas. Incluía canções como Stainsby girls, composta para a sua esposa Joan, que conhecia desde os 16 anos, e Josephine, dedicada à sua filha mais velha (em 1993, a filha mais nova, Julia, ganharia também um tributo musical). Quase sem querer, deu por si na década seguinte transformado em estrela pop, a fazer música soft-rock, algo com que não estava muito confortável. Especialmente nos Estados Unidos, onde o seu primeiro single, Fool (if you think it’s over), foi um enorme êxito.

Carreira ao vivo, porém, praticamente não teve: nunca chegou a dar um concerto no país, apesar de ter tocado em programas de televisão. Para isso contribuíram inúmeros problemas de saúde: um cancro no pâncreas aos 33 anos, que levou os médicos a removerem-lhe parte daquele órgão e do fígado, além da vesícula biliar e do duodeno, tornou-o diabético. Em 2016 teve um AVC.

Tal como muitos músicos seus contemporâneos na cena britânica dos anos 1980, foi uma das vozes do single de beneficência Do they know it’s Christmas? (1989), do supergrupo Band Aid. Os sucessos foram-se acumulando até ao início dos anos 2000, quando decidiu dar mais destaque aos blues, variante do Delta do Mississípi, que sempre tinham sido uma influência na sua música, mas que, dizia, os produtores e a editora com quem trabalhava tentavam escamotear na pop que lançava.

Para lá da música, escreveu e produziu La Passione, filme realizado por John B. Hobbs em 1996, sobre um miúdo do Nordeste industrial de Inglaterra fascinado por carros, como o próprio Chris Rea, que assinou igualmente a banda sonora: compor para cinema era um dos seus sonhos de infância.

Era coleccionador de carros antigos, tendo também participado em corridas e trabalhado no pit stop da equipa de Fórmula 1 Jordan Grand Prix, do seu amigo Eddie Jordan. Os automóveis faziam, de resto, parte do imaginário das suas letras (muitas delas pensadas ao volante). Em 2001, lançou uma canção de tributo a Ayrton Senna, Saudade Part 1 & 2. No cinema, fez ainda a banda sonora de Soft Top Hard Shoulder, de Stefan Schwartz, lançado em 1992, e foi actor em Parting Shots, comédia negra de Michael Winner estreada em 1998.