Marta León, especialista em hormônios: “Se você notar que está perdendo mais cabelo a cada dia, é essencial consumir colina, biotina e verificar seus níveis de ferro”
A nutricionista e especialista em saúde feminina explica que a queda de cabelo costuma ser um sinal de que algo está acontecendo dentro do corpo.
Com a chegada da mudança de estação, muita gente começa a notar mais fios do que o normal na escova, no travesseiro ou no ralo do chuveiro. A queda de cabelo quase virou um ritual anual, algo que aprendemos a aceitar como parte desse período do ano.
Mas, segundo Marta León, engenheira química, nutricionista e uma das maiores especialistas em saúde hormonal feminina da Espanha, o problema vai muito além de uma simples questão sazonal. Na prática, pode ser um sinal de alerta que o corpo está enviando.
De acordo com a especialista, cerca de 80% dos casos de queda capilar têm origem hormonal ou alimentar, como ela costuma explicar em suas redes sociais e no podcast Cuide dos seus hormônios comendo bem. Para Marta, “o cabelo não cai sem motivo”. Embora seja comum apresentar o que os dermatologistas chamam de eflúvio telógeno sazonal, quando a queda se torna excessiva ou persistente, isso indica que algo não está funcionando bem internamente.
Segundo a especialista, é hora de ligar o sinal de alerta “se a queda for mais intensa nas laterais ou nas têmporas, se o cabelo parecer mais fino e sem volume, ou se as raízes ficarem mais aparentes”.
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Um fígado sobrecarregado pode estar por trás da queda de cabelo
Para Marta León, um dos órgãos mais negligenciados quando o assunto é saúde capilar é o fígado. “Um fígado sobrecarregado não consegue metabolizar corretamente o estrogênio, e isso impacta diretamente o cabelo”, explica. O fígado funciona como um grande filtro do corpo, responsável por processar hormônios, eliminar toxinas e manter o equilíbrio do organismo. Quando ele não dá conta dessa função, esse equilíbrio se perde.
É aí que entra um nutriente pouco lembrado: a colina. Esse composto essencial ajuda o fígado a funcionar melhor e a metabolizar as gorduras de forma adequada. A colina está presente em alimentos comuns, como ovos, salmão, frango e leguminosas, itens que, inclusive, deveriam fazer parte de uma alimentação equilibrada.
Ferro, biotina e zinco: o trio essencial para fios mais fortes
Se há algo de que Marta León tem certeza é que a deficiência de ferro está entre as causas mais frequentes de queda de cabelo em mulheres, especialmente durante a menstruação, período em que ocorre uma perda significativa desse mineral. “O ferro é fundamental para a oxigenação do folículo capilar”, explica. Sem oxigênio suficiente, o fio não consegue crescer forte e saudável.
Além do ferro, outros dois nutrientes merecem destaque: a biotina e o zinco. A biotina, vitamina do complexo B bastante citada em produtos capilares, “está diretamente envolvida na produção de queratina, a principal proteína do cabelo”, afirma a especialista. Os ovos são uma excelente fonte desse nutriente, além de fornecerem proteínas essenciais para o crescimento capilar. Se forem orgânicos, melhor ainda.
Para manter bons níveis de ferro, Marta recomenda incluir na rotina alimentar ovos, carnes de boa qualidade, peixes gordurosos, leguminosas, vegetais de folhas verdes e sementes de linhaça ou chia trituradas. Mexilhões e amêijoas também são boas opções, já que fornecem ferro e zinco, dois nutrientes fundamentais para a saúde dos folículos capilares.
Betacaroteno e ômega-3 também fazem diferença
Os benefícios de uma alimentação equilibrada para o cabelo não param por aí. Marta León chama atenção para os alimentos de cor alaranjada, como abóbora, manga e cenoura. Eles são ricos em betacaroteno, substância que o corpo converte em vitamina A, essencial para a saúde dos tecidos, incluindo couro cabeludo e fios.
Já os ácidos graxos ômega-3, presentes principalmente em peixes oleosos e nas sementes de linhaça e chia, ajudam a nutrir as glândulas dos folículos capilares e favorecem a saúde do couro cabeludo. Além disso, contribuem para o equilíbrio hormonal feminino, algo especialmente importante após os 40 anos.
Hormônios no centro da saúde capilar
Como era de se esperar, os hormônios ocupam um papel central nessa história. “O cabelo reflete o equilíbrio hormonal do nosso corpo”, explica Marta. Durante a gravidez, por exemplo, é comum os fios ficarem mais brilhantes e volumosos devido ao aumento de determinados hormônios. Já no pós-parto ou durante a amamentação, a queda hormonal repentina pode provocar uma perda intensa de cabelo.
O ciclo menstrual e a menopausa também influenciam diretamente a saúde capilar. As oscilações hormonais desses períodos afetam não apenas a menstruação, mas também a textura, o brilho e a densidade dos fios. Por isso, a partir dos 40 anos, e especialmente por volta dos 50, quando essas mudanças se tornam mais intensas, garantir a ingestão adequada de nutrientes faz toda a diferença.
Por fim, a especialista reforça a importância de dormir bem e controlar o estresse. Níveis elevados de cortisol, o hormônio do estresse, podem comprometer a regeneração capilar. “Comer bem não adianta se vivemos constantemente estressadas. O estresse desregula os hormônios tanto quanto uma alimentação inadequada”, conclui.
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