Em 2006, Paulo Bento deu uma lição sobre utilização dos membros no desporto: “Com a mão é andebol, basquetebol, voleibol. Futebol é com os pés, com as pernas ou com a cabeça”. Quase 20 anos depois, a lição de Paulo Bento está bem actualizada. Nesta segunda-feira, o Benfica bateu o Famalicão por 1-0, em mais um jogo no qual os jogadores recorreram à utilização das mãos.
Depois da polémica no Santa Clara-Sporting da Taça de Portugal, o Benfica também venceu com um penálti cometido por mão na cara de um jogador – e mais uma vez com ajuda do VAR, embora numa decisão bem mais rápida de André Narciso na Luz do que a de João Pinheiro nos Açores. Quem queria que o ambiente no futebol português esfriasse talvez tenha de esperar mais uns dias.
O resultado é, ainda assim, ajustado ao que se passou. Não que o Benfica tenha sido especialmente capaz de criar lances de perigo – não foi –, mas o Famalicão acabou a partida sem uma única oportunidade clara de golo e um valor de golos esperados que ficou nos 0,21. O empate não chocaria ninguém, mas o triunfo “encarnado” encaixa no que se passou na Luz.
Este resultado permite ao Benfica igualar os 35 pontos do Sporting, ainda que os “leões” só joguem nesta terça-feira, em Guimarães, frente ao Vitória.
Saída a três
O Famalicão trouxe a este jogo uma ideia semelhante à que costuma utilizar: tentar ter bola e, sobretudo, construir muito pelos corredores, jogando ao primeiro toque para não ser “abafado” pelos adversários – conseguem muitas triangulações assim. E isso aconteceu na Luz, com várias posses prolongadas com base nesses movimentos dentro/fora. Não houve, ainda assim, grandes efeitos práticos para uma equipa que esteve 47 minutos sem rematar à baliza.
Do lado “encarnado” havia algo muito claro: uma saída de bola resultava, a outra não. A que resultava era a que tinha Enzo a baixar na esquerda, porque isso tirava as referências individuais ao 4x4x2 sem bola do Famalicão. Nenhum dos médios se comprometia tão acima com Enzo e isso dava espaço ao argentino para jogar.
Quando isto não acontecia o Benfica tinha uma posse mais inócua. Ora batia longo para os corredores, ora saía curto com os centrais muito por dentro, algo que permitia aos dois avançados do Famalicão estarem no meio de um quadrado e fecharem quatro jogadores: Otamendi, Araújo, Enzo e Ríos.
A via mais perigosa do Benfica era a tal saída a três e, mais à frente, as incursões de Dahl. Gil Dias, o extremo contrário, estava “fora dela” muitas vezes, distraindo-se no acompanhamento ao lateral do Benfica. Aconteceu duas vezes ainda antes dos dez minutos (sem perigo) e aconteceu aos 24’, com perigo no remate de Dahl, que apareceu sozinho com Dias a dormir.
Aos 31’, o extremo fartou-se e decidiu parar Dahl em falta. Desse livre houve uma bola área dividida por Otamendi e o VAR chamou André Narciso para assinalar penálti sobre o argentino. Pavlidis rematou com categoria.
Segunda parte calma
Havia um dado estatístico interessante que não explicava tudo, mas sugeria um factor para a subida do Benfica a nível de controlo do jogo: 35-19 em duelos, com os “encarnados” a vencerem quase 65% das divididas (mais de 70% em duelos pelo chão) e ganhando mais posses de bola.
? GOLO
Pavlidis 34′
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Aursnes isolou-se aos 65’, depois de uma recuperação em zona adiantada, mas esse era um oásis numa segunda parte claramente mais aborrecida. Não o foi necessariamente pelo menor perigo – já na primeira não houve muito –, mas sobretudo pela lentidão com que se foi jogando.
O Benfica estava a ter posses mais prolongadas, mas quase sempre em zona defensiva, embora se fosse notando maior presença ofensiva do Famalicão – a dupla de avançados mais clássica obrigou Enzo a jogar mais baixo e mesmo os laterais estiveram menos audazes.
Os duelos também estavam mais equiparados e o Famalicão entrou no último quarto de hora com maior capacidade para ter bola, mas ainda e sempre sem especial consequência. O Benfica teve mais espaço para transições, mas faltou engenho para “matar” o jogo.