A Art Resilia criou um estudo estratégico para Portugal sobre soberania digital que revela que o nosso país ainda tem uma forte dependência tecnológica do estrangeiro.
Um estudo recente da empresa portuguesa Art Resilia revela que apenas 5% da infraestrutura digital associada a ativos portugueses está alojada em Portugal, um cenário que levanta preocupações estratégicas no domínio da soberania digital.
Para a realização do estudo foram analisados mais de 215 mil hosts expostos à Internet e cerca de 130 mil domínios .pt, permitindo traçar um retrato detalhado da presença digital nacional.
O resultado evidencia um ecossistema tecnológico amplamente distribuído por centros de dados estrangeiros, sobretudo dentro da União Europeia.
5% das infraestruturas de e-mail estão fora de Portugal
Apesar do alojamento de serviços fora do país representar um risco, o estudo destaca que 75% da infraestrutura digital portuguesa está localizada na União Europeia, um espaço considerado de “controlo amigável” devido à harmonização legislativa com Portugal.
Um dos poucos sinais positivos surge na área dos serviços de e-mail, onde cerca de 55% (especificamente 55,2%) da infraestrutura está associada a centros de dados ou ao ciberespaço português.
O estudo identificou ainda 65 organizações classificadas como infraestruturas digitais críticas, entre fornecedores de acesso à Internet e operadores de centros de dados. Neste ponto, Portugal surge bem posicionado: a maioria destas entidades tem sede no país ou na União Europeia, garantindo enquadramento legal favorável.
Soberania digital como pilar estratégico
O conceito de soberania digital refere-se ao domínio que um país deve ter sobre os seus dados, infraestruturas tecnológicas, processos digitais e sistemas críticos.
A Art Resilia defende que esta autonomia não implica isolamento, mas sim uma capacidade de controlar e proteger recursos essenciais num contexto global cada vez mais competitivo.
As conclusões do estudo reforçam a importância do tema: a soberania digital é hoje vista como essencial para a segurança nacional, a privacidade dos cidadãos e a independência económica face a grandes multinacionais tecnológicas.
Soberania digital “não é um debate para o futuro
Apesar do alinhamento com a UE em políticas e normas, Portugal continua a enfrentar limitações significativas para implementar, de forma plena e rápida, os requisitos europeus de segurança e resiliência digital. Falta de recursos humanos especializados, capacidade tecnológica limitada e restrições financeiras são alguns dos entraves apontados.
A Art Resilia alerta que a soberania digital “não é um debate para o futuro, mas uma necessidade imediata”, destacando que a proteção dos dados e das infraestruturas críticas deve ser uma prioridade nacional.
O estudo conclui apelando a um reforço estratégico do investimento em tecnologia nacional, formação especializada e infraestruturas próprias. O objetivo não é cortar laços com parceiros internacionais, mas garantir que Portugal mantém a capacidade de agir autonomamente perante ameaças ou descontinuidades globais.


