Ao final de pouco mais de um ano depois de o Governo ter apresentado o seu primeiro pacote de medidas destinadas a responder à crise habitacional, os preços das casas continuam a aumentar e fazem-no a ritmo cada vez mais acelerado. No terceiro trimestre deste ano, os valores aumentaram 17,7%, o maior crescimento de que há registo, verificando-se também um novo máximo no montante total transaccionado num só trimestre.

Os dados foram divulgados, nesta terça-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que dá conta de que, no terceiro trimestre de 2025, o índice de preços da habitação registou um aumento de 17,7% em relação a igual período do ano passado. Este é o maior crescimento desde que o INE iniciou esta série estatística, que recua até 2009. É, também, o sexto trimestre consecutivo em que se verifica uma aceleração do crescimento, um movimento iniciado no segundo trimestre de 2024.

A contribuir para este movimento estiveram tanto as casas novas como as já existentes. Nas casas novas, o índice de preços aumentou em 14,1%, enquanto o preço das casas existentes subiu 19,1% no período em análise.


Estes números verificam-se num período em que foram vendidas 42.481 casas, um aumento de 3,8% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, por um valor total de mais de quase 10,5 mil milhões de euros. Este montante representa um crescimento anual próximo de 16% e é, também, o mais elevado de que há registo.

A evolução deste indicador coincide, também, com a altura em que o Governo apresentou um segundo pacote de medidas dirigidas ao sector da habitação, quase todas de carácter fiscal e direccionadas, sobretudo, para os proprietários. Entre outras medidas, que ainda têm de ser aprovadas pela Assembleia da República, o Governo propõe reduzir a taxa de IRS sobre os rendimentos obtidos por via de rendas para 10%, desde que as rendas não ultrapassem 2300 euros por mês, baixar a taxa de IVA para 6% nos projectos de construção de habitação que sejam vendidos por um preço máximo de 648.022 euros ou arrendados por uma renda de até 2300 euros, ou isentar de mais-valias os proprietários que vendam as casas e que, no prazo de cinco anos, reinvistam o produto dessa venda na aquisição ou construção de uma nova casa que seja colocada a arrendar com valor “moderado”.

A estas, juntam-se outras já em vigor, que têm fomentado a procura sem um correspondente aumento da oferta. Em concreto, as medidas destinadas a apoiar jovens na compra da primeira casa, como a isenção de IMT e de imposto do selo, em vigor desde o ano passado e que, comprovadamente, têm contribuído para a aceleração da subida de preços que já antes se verificava.

Preço médio em Lisboa ultrapassa 400 mil euros

Considerando o volume total transaccionado e o número de vendas de casas concretizadas no período em análise, o preço médio das casas fixou-se em mais de 247 mil euros, o valor mais alto alguma vez registado pelo INE.

Os valores variam de forma significativa entre as várias regiões do país. Na Grande Lisboa, onde se registam os preços mais elevados, venderam-se 7759 casas, por um valor total superior a 3,1 mil milhões de euros, o que elevou o preço médio das casas para mais de 401 mil euros, naquela que é a primeira vez em que o preço médio ultrapassa a fasquia dos 400 mil euros em qualquer região do país. Segue-se o Algarve, onde o preço médio se fixou em mais de 389 mil euros, um aumento anual de quase 14%.

Já o maior aumento verifica-se na Região Autónoma dos Açores, onde foram vendidas 697 casas, por cerca de 141 milhões de euros, o que fez com que o preço médio aumentasse em 23%, para 202 mil euros.

A região do Alentejo mantém os valores mais baixos, com um preço médio de 130 mil euros por casa, o que, ainda assim, representa um aumento superior a 15% em relação ao ano passado.