Oona Chaplin – Foto: Divulgação
O universo de “Avatar” está muito ligado à família e à ancestralidade. Conceitos que são bem caros às duas protagonistas de “Avatar: Fogo e Cinzas” – Oona Chaplin e Zoë Saldaña. Oona é filha da atriz Geraldine e neta de Charlie Chaplin. Herdou o nome de sua avó materna, Oona O’Neill, filha do autor teatral Eugene. “Sinto que meu avô estava fazendo exatamente o que James Cameron está fazendo agora. Na sua época, ele trabalhava com tecnologia de ponta e usava isso para contar histórias que falam sobre o coração humano. E é exatamente isso que Cameron está fazendo. Foi interessante fazer essa ligação”, contou Oona, por videochamada, da Califórnia.
Já para Zoë, a questão da ancestralidade bateu de outra forma: “Sou uma orgulhosa filha de imigrantes. Sou da República Dominicana e, como tal, compartilho o orgulho de saber que fomos os primeiros a declarar independência ao lado de nossos irmãos haitianos. Sempre tivemos orgulho disso e nos sentimos conectados com o resto das Américas. Fui criada dessa forma e carrego isso para onde quer que eu vá. Tenho a confiança e a autoestima para não aceitar nada menos do que isso”, revelou a atriz, de sua casa em Los Angeles.
Zoë Saldaña – Foto: Divulgação
Após participar de outra franquia milionária (“Guardiões das Galáxias”) e ganhar um Oscar pela atuação como advogada de Emília Perez no filme homônimo, Zoë volta ao universo de Avatar como Neytiri, a guerreira do povo Na’vi com um coração rebelde. A atriz se identificou sob vários aspectos com sua personagem. “Eu me senti muito próxima da Neytiri desde muito cedo, porque notei que havia um destino traçado para ela. E que ela era contra isso, porque queria tomar suas próprias decisões. Sinto que ela teve que ser radical para ter sua própria voz e fazer suas próprias escolhas. Eu me identifico com isso, como uma mulher afro-latina. Quando minha mãe teve que me deixar ir para o mundo, o mundo quis impor limites para mim porque é assim que funciona. Porém, não cresci com essas limitações. Sempre senti a necessidade de ser eu mesma. Eu realmente não vivo pela aprovação dos outros. Se vivesse, não chegaria tão longe.”
Zoë comentou como sua vida mudou após vencer um Oscar. “Ganhar um Oscar na minha idade (Zoë está com 47 anos) me deu um incentivo para seguir em frente. Foi um lindo reconhecimento. Nós mulheres temos que lutar contra essa data de validade que sempre nos é imposta, na qual somos objetificadas pela nossa juventude. O que estou testemunhando vendo outras mulheres ao meu redor, da minha idade ou mais velhas, é que elas encontraram uma maneira de congelar o tempo, de assumir mais o controle sobre o nosso tempo, de nos dar mais tempo e de não permitir que o nosso tempo seja tirado de nós.”
Oona Chaplin – Foto: Divulgação
Oona – que interpreta Varang, líder do “povo das cinzas”, emana uma vibe totalmente paz e amor. A atriz vive em uma fazenda neo-hippie de 20 acres, cercada de galinhas, crianças e árvores frutíferas, na Califórnia. Oona gosta de postar temperos que cria com as ervas que nascem em seu jardim no seu perfil no Instagram. Sua conexão com o universo de Avatar passou pela questão ecológica. “Estamos intrinsecamente ligados uns aos outros nesta teia da vida. Não pensamos nisso o suficiente. Eu realmente adoro Avatar por trazer essas coisas grandes e complicadas, pensamentos e questões filosóficas que estão por aí, diretamente ao seu coração em uma história com a qual todos se conectam. Sinto que, através deste filme, podemos relembrar o sentimento de sermos uma família com a natureza, o sentimento de estarmos uns ao lado dos outros, nos defendendo e nos elevando. Espero que o filme vá muito além do assunto das mudanças climáticas e entre no coração humano.”
Quando surge a questão da ecologia, é impossível não falar sobre a Amazônia. Ainda mais em ano de COP30. Oona já veio à Amazônia em diversas ocasiões. “Encontrei muita inspiração lá. Nos últimos 15 anos, dediquei boa parte do meu tempo e da minha energia para aprender o máximo possível com pessoas que me ajudam a entender o mundo de uma forma agradável. E muitas dessas pessoas são guardiãs de sabedorias tradicionais de diferentes partes do mundo, de comunidades indígenas e também de povos não indígenas, mas que têm essa frequência de compreensão. Há muita sabedoria na natureza e uma maneira diferente de perceber a vida, tenho muita curiosidade de saber sobre isso. Pretendo continuar a dedicar minha energia e minha força vital a estar em reciprocidade com os professores que tenho, e muitos deles estão na Amazônia.”
Zoë Saldaña – Foto: Divulgação
Zoë ainda não viveu essa experiência. “Seria um sonho para mim. Só estive no Brasil uma vez, para promover ‘Avatar: O Caminho da Água’ – e prometi a mim mesma que voltaria. Meu marido (o artista Marco Perego Saldaña) morou no Brasil antes de imigrar para a América do Norte, e ele adorou. Inclusive, ele fala português! Eu realmente me sinto conectada ao povo brasileiro. Quando Avatar estreou, James Cameron e Sigourney Weaver foram visitar a Amazônia, mas eu não pude ir porque estava trabalhando em outro projeto. Lembro que chorei de tão chateada. Até hoje, eles compartilham comigo a experiência maravilhosa que tiveram na floresta brasileira. Então, devo a mim mesma uma viagem para a Amazônia e mais viagens para o Brasil.” Estaremos por aqui.
Duda Leite
22/12/2025