O ano de 2025 marcou um ponto de virada para a produtora BIG. Em meio a um reposicionamento de marca cuidadosamente planejado, a empresa colheu resultados expressivos, com campanhas premiadas internacionalmente, crescimento em performance e uma estratégia de futuro baseada em tecnologia, criatividade e gestão sólida. É o que revela Nelson de Oliveira Alves Neto, vice-presidente da BIG, em entrevista ao Marcas pelo Mundo.

Segundo Neto, embora os resultados tenham ganhado visibilidade agora, o trabalho começou bem antes. O rebranding da BIG teve início em 2023, com um olhar voltado primeiro para dentro da empresa. O processo envolveu planejamento estratégico, revisão de cultura, implantação de novos processos, ferramentas e metodologias de trabalho. Em 2025 foi a consolidação da nova marca.

Para ele, o reposicionamento vai além de uma mudança estética. Trata-se de reforçar a essência da produtora e sua proposta de valor. A BIG se define como uma empresa que transforma ideias publicitárias em algo maior, elevando conceitos criativos por meio de craft, arte e execução de alto nível. “A Big é uma produtora que vende um sonho, um sonho de transformar uma ideia publicitária em algo muito maior”, resume.

Esse conceito se materializa na filosofia que passou a guiar a empresa: think big, dream big. A ideia de pensar grande está presente tanto na relação com clientes e agências quanto na forma como a BIG se estrutura internamente, valorizando não apenas sua equipe, mas também parceiros e fornecedores, considerados parte essencial do time.

Princess: criatividade, craft e performance no mesmo projeto

Entre os trabalhos que simbolizam essa fase está a campanha Princess, produzida no final de 2024 para a agência MullenLowe Londres, com foco no cliente Bayer e veiculação na América Central. O projeto se destacou por conseguir unir duas frentes que nem sempre caminham juntas: excelência criativa e performance.

O resultado foi uma campanha que alcançou números expressivos: 134 milhões de visualizações orgânicas, crescimento de 800% nas buscas da marca no Google e aumento de 31% nas vendas. Além disso, Princess rendeu à BIG sete prêmios em 2025, incluindo um Grand Prix do Marketing Society, reconhecimento que reforça a entrega conjunta de arte e resultado.

Tecnologia como aliada, não como substituta

Com 18 anos de atuação — comemorados em abril —, a BIG sempre carregou um DNA criativo forte. Para Neto, a produtora nunca se enxergou apenas como executora de ideias prontas, mas como uma parceira que agrega valor criativo ao longo do processo.

O vice-presidente destaca que a BIG vê a Inteligência Artificial como oportunidade, não como ameaça. A tecnologia vem sendo aplicada em diferentes etapas da produção, muitas vezes combinada com técnicas de animação 2D, 3D e processos tradicionais.

Ainda assim, Neto faz questão de reforçar que a IA, sozinha, não resolve tudo. Um caso recente ilustra bem esse ponto: ao tentar produzir imagens de carros com cenários gerados apenas por inteligência artificial, o resultado inicial não atingiu o nível desejado. A solução foi integrar o diretor de arte e a equipe criativa ao trabalho do diretor de IA. A partir dessa colaboração, o material final ganhou qualidade e consistência.

A experiência reforça a visão da BIG de que o talento humano segue indispensável. A tecnologia acelera processos, reduz custos e amplia possibilidades, mas o olhar criativo especializado continua sendo decisivo para alcançar excelência.

Gestão, processos e equilíbrio

Além da criatividade, a BIG investiu em estrutura de gestão. Neto, que chegou à empresa no primeiro mês de operação para cuidar da área financeira, liderou a consolidação de uma administração baseada em processos, indicadores e dados. Hoje, a produtora conta com fluxos documentados, dashboards em tempo real e uma gestão de projetos rigorosa, o que garante maior segurança na tomada de decisões.

O equilíbrio entre controle financeiro e liberdade criativa, no entanto, segue sendo sempre um dos maiores desafios. Para o executivo, lidar diariamente com esse contraste faz parte da essência do negócio — e é justamente isso que torna o trabalho estimulante.

Olhar para fora e foco em 2026

O futuro da BIG passa, inevitavelmente, pela internacionalização. Atualmente, entre 40% e 45% do faturamento da empresa já vem de fora do Brasil. Para 2026, a consolidação da marca no mercado, a expansão internacional e o aprofundamento dos investimentos em inteligência artificial formam os três pilares estratégicos.

Neto acredita que o craft brasileiro segue altamente valorizado no exterior, especialmente pela flexibilidade e capacidade de adaptação dos profissionais do país. Para ele, o cliente do futuro estará cada vez menos interessado em saber como uma peça foi produzida — se em 2D, 3D ou IA — e cada vez mais focado no resultado final: uma entrega com alto nível de arte, craft e performance.

Ao encerrar a entrevista, Neto reforça a mensagem que passou a sintetizar o espírito da empresa nesta nova fase: “Não deixe de sonhar Big”. Uma frase que traduz o momento da produtora e aponta para um futuro em que criatividade, tecnologia e visão estratégica caminham juntas.

Leia outras matérias: https://marcaspelomundo.com.br/destaques/o-preco-oculto-do-prazo-de-pagamento-como-os-longos-prazos-de-pagamento-pressionam-as-produtoras-e-elevam-os-custos-finais/