A questão é que Kasparov não vive em território russo há mais de uma década

Um tribunal da Federação Russa decretou uma pena de prisão à revelia contra Gary Kasparov, considerando o antigo campeão mundial de xadrez culpado de justificar atos terroristas através das críticas que fez à guerra da Rússia contra a Ucrânia. A decisão prevê uma detenção de dois meses, a cumprir caso Kasparov seja preso em território russo ou extraditado para a Rússia.

“O tribunal emitiu uma providência cautelar contra Kasparov, ordenando a sua prisão à revelia, por dois meses, a partir do momento da sua prisão, na Rússia, ou da sua extradição para território russo”, afirmou o juiz, numa declaração citada pela agência russa TASS.

As autoridades russas acusam Kasparov de “justificar publicamente o terrorismo em redes de telecomunicações, incluindo a Internet”, um crime que, na legislação russa, pode resultar numa pena de prisão efetiva entre cinco e sete anos. O ex-pluricampeão mundial de xadrez, que se retirou da competição em 2005, vive fora da Rússia há mais de uma década e integra, desde maio de 2022, a lista de “agentes estrangeiros” elaborada por Moscovo.

O nome de Kasparov surge também ligado a um processo criminal aberto em outubro pelo Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), que envolve o magnata Mikhail Khodorkovsky e outras figuras proeminentes da oposição russa, todas no exílio. Os fundadores do Comité Antiguerra da Rússia (ARC), entre os quais Kasparov, são acusados de “organizar uma comunidade terrorista” e de “tentar tomar o poder”.

De acordo com o FSB, Khodorkovsky e os restantes membros do ARC “financiam grupos militarizados ucranianos marcados como organizações terroristas na Rússia e, alegadamente, recrutam outros indivíduos, usando-os depois em planos para tomar o poder na Rússia pela força”.

O Comité Antiguerra da Rússia foi criado a 27 de fevereiro de 2022 (três dias depois de Moscovo ter lançado a sua campanha militar na Ucrânia) com o objetivo declarado de combater a “ditadura agressiva” do presidente russo, Vladimir Putin, que está no poder há mais de um quarto de século.