A Organização do Tratado do Atlântico Norte (em inglês, NATO) suspeita que a Rússia está a desenvolver uma estratégia drástica para neutralizar a rede Starlink: a criação de nuvens orbitais de pequenos fragmentos de metal para destruição em massa de satélites.

Domínio da Starlink e dependência global dos seus satélites

Atualmente, existem mais de 14.000 satélites ativos na órbita baixa da Terra. Destes, cerca de dois terços pertencem à Starlink.

Governos, como o norte-americano, dependem largamente destes satélites para comunicações remotas e operações militares.

Além disso, desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, a constelação de satélites da SpaceX tem sido vital para a defesa do país, garantindo Internet para infraestruturas civis, drones e coordenação de artilharia.

Starlink

Rússia quer dizimar o trunfo ocidental

É neste contexto de extrema relevância para a Ucrânia que a Rússia parece querer dizimar os satélites da Starlink, segundo avançado pelo Gizmodo.

Segundo relatórios dos serviços secretos analisados pela Associated Press, a arma de “efeito de zona” a ser planeada pela Rússia teria como objetivo inundar as órbitas baixas com centenas de milhares de projéteis de alta densidade, permitindo desativar vários satélites em simultâneo através de uma destruição em massa.

Esta ameaça foca-se na infraestrutura de Elon Musk. Afinal, os cerca de dois terços dos 14.000 satélites ativos na órbita terrestre, a Starlink tem sido crucial na defesa ucraniana, desde o início da guerra, em 2022.

Embora a Rússia tenha avisado, anteriormente, que satélites comerciais poderiam ser alvos legítimos, a ideia de usar o chamado shrapnel – pequenos fragmentos de metal que voam a alta velocidade após a explosão de uma granada ou projétil – para o efeito choca especialistas devido ao risco de danos colaterais incontroláveis.

O “efeito de zona” contra a Starlink

Segundo relatórios dos serviços secretos analisados pela Associated Press, primeiro, a arma russa daria origem a uma inundação orbital, libertando centenas de milhares de projéteis de alta densidade.

Essa libertação resultaria, depois, numa destruição em massa: ao contrário de mísseis que visam um único alvo, uma nuvem deste tipo desativaria múltiplos satélites simultaneamente.

Especialistas alertam que o uso desta estratégia pode gerar danos colaterais imprevisíveis, comparáveis a “explodir uma caixa de chumbo” no espaço.

O Síndrome de Kessler

O grande dilema desta estratégia é exatamente o seu caráter indiscriminado. Ao fragmentar objetos no espaço, o país criaria uma reação em cadeia que poderia destruir não só os seus próprios satélites, mas, também, os de aliados como a China.

A proposta russa pode ser consideravelmente mais perigosa do que outros métodos já testados por várias potências mundiais devido ao risco do chamado Síndrome de Kessler.

Ao contrário de um teste de míssil controlado, uma nuvem massiva de pequenos fragmentos pode gerar uma reação em cadeia de colisões, tornando certas órbitas totalmente inutilizáveis para a humanidade durante décadas.

Estação Espacial Internacional (ISS)

Estação Espacial Internacional (em inglês, ISS).

Além disso, as estações espaciais Tiangong e a Estação Espacial Internacional (em inglês, ISS) ficariam em perigo imediato.

Ainda assim, alguns comandantes militares acreditam que, dada a desvantagem tecnológica russa face aos Estados Unidos, o país poderá estar disposto a sacrificar o acesso à órbita terrestre para “nivelar o campo de jogo” e privar os países ocidentais da sua vantagem em matéria de comunicação, conseguida através de uma robusta rede de satélites.

A confirmar-se, o desenvolvimento desta tecnologia pela Rússia sublinha a rapidez com que o espaço se está a tornar um campo de batalha ativo.

Embora a eficácia e a intenção real da Rússia ainda gerem debate entre os especialistas, a ameaça à infraestrutura que sustenta a vida moderna na Terra é real e agrava-se a cada dia.