A Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, atingiu um marco histórico ao registrar sua 100.000ª imagem de Marte. O novo registro foi feito com a câmera de alta resolução HiRISE e revela uma extensa área de dunas de areia em movimento, reforçando a capacidade da missão de acompanhar mudanças ativas na superfície do Planeta Vermelho.

O feito ocorre no momento em que a sonda se aproxima de completar 20 anos de observação contínua em órbita marciana. Lançada em agosto de 2005 e inserida na órbita de Marte em março de 2006, a espaçonave mantém um ritmo intenso de coleta de dados. Segundo dados da agência espacial, o volume acumulado equivale a uma média de cerca de 5.000 imagens por ano, o que ilustra a longevidade e a produtividade da missão ao longo de quase duas décadas.

A imagem histórica foi capturada em 7 de outubro e mostra a região conhecida como Syrtis Major, marcada por mesas rochosas, crateras e campos de dunas escuras. Localizada a sudeste da Cratera Jezero, área que abriga o antigo leito de um lago, a região aparece como uma grande mancha escura quando observada à distância por instrumentos como o Telescópio Hubble.

Dunas que se movem

A Syrtis Major já foi observada diversas vezes pela MRO. Ainda assim, análises anteriores indicam que as dunas locais migram lentamente sob a ação dos ventos marcianos. De acordo com declarações da equipe da missão, a HiRISE tem sido essencial para mostrar não apenas as diferenças entre Marte e a Terra, mas também como a paisagem marciana se transforma ao longo do tempo, com o avanço de campos de areia e pequenos deslizamentos em encostas íngremes.

Além disso, compreender essas mudanças é fundamental para investigar quais forças moldam o planeta e avaliar se Marte já foi um ambiente aquático mais favorável à vida no passado. Conforme informações repercutidas pela revista Live Science, o monitoramento contínuo da superfície ajuda a reconstruir a história climática e geológica do planeta.

Olhar além de Marte

Embora a missão seja dedicada principalmente ao estudo marciano, a MRO ocasionalmente direciona seus instrumentos para o espaço profundo. Em outubro, a sonda registrou o cometa interestelar 3I/ATLAS a cerca de 30 milhões de quilômetros de distância.

Mesmo não sendo projetada para esse tipo de observação, a imagem confirmou características típicas de um cometa natural, como um pequeno núcleo envolto por uma coma de gás e poeira.