Os dois militares capturaram um inimigo russo que acabou por ficar dois meses e meio em cativeiro
Não é segredo que a falta de militares de infantaria é um dos principais problemas do exército ucraniano. A falta de tropas obriga as Forças Armadas a manter soldados durante semanas seguidas na mesma posição sem pausas. Foi esse o caso de dois soldados ucranianos da 93.ª Brigada Mecanizada, que defenderam a sua posição durante 130 dias perto de Rusyn Yar, na região de Donetsk.
Num vídeo partilhado pela unidade militar, Denys, conhecido pelo nome de código “Bars”, e Dmytro, conhecido por “K2”, chegaram aos arredores da cidade de Kostiantynivka depois de uma missão que durou mais de quatro meses. Visivelmente desgastados, os militares recordam alguns dos momentos mais difíceis, como o primeiro confronto com tropas russas.
“Essa foi a parte mais assustadora. Depois disso, tudo se tornou rotina. É bom quando és tu a disparar e não o alvo a ser alvejado. Começámos a gostar, pode dizer-se”, afirmou Denys.
Two warriors of Ukraine’s 93rd Brigade held a position near Rusyn Yar in Donetsk region against terrorist forces for 130 days.
Caption says they managed to capture a Russian who stayed with them for 2,5 months, helping to build defences. pic.twitter.com/DngOkU1RNG
— WarTranslated (@wartranslated) December 23, 2025
No início da missão, os dois soldados encontraram abrigo dentro de uma casa, mas, quando os militares russos descobriram que eles estavam lá, destruíram por completo o abrigo com drones kamikazes. O ataque obrigou os ucranianos a escavar novos abrigos para resistir às várias ondas de ataques russos que estavam por vir.
“A nossa casa, onde nós servimos, foi desmantelada por FPVs, mas nós escavámos bem e sobrevivemos. E nem fomos feridos”, contou o militar.
No total, Denys e Dmytro eliminaram sete soldados russos. Recuperaram os rádios dos corpos dos inimigos abatidos e, durante mais dois meses, intercetaram as comunicações russas, transmitindo informações sobre os movimentos do adversário ao seu batalhão.
Ukrainian soldiers spent 130 days on the front line without rotation, holding their positions with no rooms, no showers, no bathrooms—nothing. They returned with a Russian prisoner of war who had been with them for two months. pic.twitter.com/pSiqsb0FxR
— Devana 🇺🇦 (@DevanaUkraine) December 22, 2025
Nas imagens partilhadas pela unidade, um dos militares exibe “um troféu”: uma AK-12 russa que Denys utilizou durante o combate, depois de a sua arma ter ficado soterrada na trincheira devido ao ataque de drone russo.
Juntamente com eles, foi também retirado um prisioneiro de guerra russo de 23 anos, Danyil Sychov, natural de Volgogrado. O militar tinha-se rendido aos soldados ucranianos de uma posição vizinha durante um combate, mas, como a extração não foi possível de imediato, permaneceu com as tropas ucranianas naquelas trincheiras durante mais de dois meses.