“No dia 24 de Novembro, pelas 6 horas, a Quietude não quis esperar o sol nascer para dar à luz a sua primeira burranca.” É assim, com o seu toque de poesia, que é anunciado o “último nascimento do ano” no Centro de Valorização do Burro de Miranda, dedicado a proteger esta espécie, muito estimada em Portugal e com longo histórico, porém sempre em risco de extinção sem os devidos cuidados.
Cada nascimento por estas terras de Atenor, em Miranda do Douro, é celebrado com alegria e um notório carinho. “Era uma manhã fria, daquelas que anunciam um Inverno duro, mas a pequena nasceu com tranquilidade e energia… muita energia. Rapidamente se aqueceram os corações!”, divulga-se nas redes da AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, que gere o centro.
Este ano, a Vitamina é o quarto nascimento celebrado e vem juntar-se “à Vida, ao Vitinho e à Violeta”. Todos os burrancos (em mirandês e terras de fronteira usa-se para um jovem burro) podem já ser visitados – este ano, por via das festas, só já nos últimos sábado e domingo – e um dia destes podem também ser apadrinhados.
Isto porque uma das formas de apoiar o trabalho do centro é precisamente tornar-se padrinho/madrinha de um dos burros protegidos, ou, claro, oferecer a alguém um apadrinhamento – já não vai conseguir o pack de oferta a tempo do dia de Natal, mas pode sempre fazer o registo e entregar depois. No site Apadrinha um Burro pode ficar a conhecer os 13 “embaixadores” desta campanha.
Chegou a Vitamina
aepga
O burro de Miranda, um símbolo da região e do país – a única raça autóctone portuguesa de burros -, é considerado espécie em perigo de extinção. Desde meados do séc. XX, cada vez menos usados no apoio ao trabalho nos campos e transporte, com a crescente “mecanização dos trabalhos agrícolas, o abandono do espaço rural e da agricultura de subsistência”, que os burros vão desaparecendo da paisagem. Ainda assim persistem, graças a associações de protecção, a alguns criadores e à sua presença e vida em alguns espaços rurais, incluindo turismos.
Actualmente, calculam-se em cerca de 900 os burros de Miranda existentes, apenas 50 deles considerados machos reprodutores. Uma espécie em continua luta pela sobrevivência.
Quem quiser, pode também visitar os espaços da AEPGA, o Centro de Valorização do Burro de Miranda e o Centro de Atividades-Lúdico Pedagógicas do Burro de Miranda. Por agora, entram em pausa entre os dias 24 e 26; e nos dias 31 e 1. Os períodos normais de visita são às terças, quintas e sábados. A associação realiza também outras actividades, incluindo caminhadas em boa e esperta companhia: obviamente, seguindo o passo certo dos burros.
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