O inesperado tomou conta da sede da Bimba y Lola, em Vigo, no Norte de Espanha. A empresa de moda venceu o segundo prémio da lotaria de Natal espanhola, conhecida como El Gordo, no valor de 1,2 milhões de euros, equivalente a entre 600 a 800 bilhetes comprados pela empresa em Madrid que os distribuiu pelas centenas de funcionários. Cada um dos trabalhadores comprou um bilhete (ou mais) pelo valor simbólico de cinco euros. Agora, alguns deles levam milhares de euros para casa como presente de Natal. “Não poderemos parar de trabalhar, mas agora fá-lo-emos com muito mais tranquilidade”, declarou uma das funcionárias ao El País.
Cada bilhete de cinco euros transformou-se em 30 mil euros, sendo que a maioria dos trabalhadores comprou mais do que um bilhete. Para alguns, é mesmo uma mudança de vida concretizada nesta antevéspera de Natal. “Estávamos a trabalhar quando alguém começou a gritar. Pensámos que fosse alguém em particular que tinha ganhado, mas afinal tínhamos ganhado todos. Começamos a gritar e a brindar”. Foi assim que aconteceu, contou parte da equipa ao jornal La Voz de Galícia.
Ainda que o prémio tinha sido atribuído em Madrid, é em Vigo que se está a fazer festa na sede da empresa, que reúne 350 funcionários administrativos e mais 100 em armazéns e loja naquela cidade. A euforia foi tal que a Bimba y Lola, fundada pelas irmãs María e Uxía Domingez (que ainda não reagiram à boa-nova), sobrinhas do conhecido criador espanhol Adolgo Dominguez, se viu obrigada a fechar portas para o resto do dia.
A partir do meio-dia, todos foram dispensados para continuarem as celebrações num bar da cidade, por esta época iluminada por 12 milhões de luzes de Natal. “Foi uma histeria colectiva. Foi surpreendente. Eu nunca tinha ganhado nada antes e, de repente, não conseguia acreditar. Ganhei e vou dividir com a minha família e guardar para comprar um apartamento”, reforçou a jovem Ángeles, ao mesmo jornal galego, sem desvendar quanto terá ganhado.
Festa numa loja da Bimba y Lola em Oviedo
EPA/SALVADOR SAS
A confusão foi tal que alguns funcionários nem sabiam se tinham chegado a comprar bilhete, apressando-se a ver a caixa de e-mail para confirmar a sua sorte. Foi o caso de María Martínez, de 29 anos, que trabalha na empresa há sete anos e descobriu ter sido uma das premiadas. “Ganhei 62 mil euros e não sei o que vou fazer com o dinheiro. Primeiro, vamos comemorar, e depois vemos”, disse ao El País, enquanto dançava bachata na festa de celebração.
Apesar da fortuna instantânea, há trabalhadores que garantem que pouco mudará nas suas rotinas, ainda que façam alguns planos, como comprar um carro novo ou reforçar as poupanças. “É bom que as pessoas comuns ganhem às vezes. Hoje vou almoçar e comemorar, mas depois volto à minha rotina normal”, diz o agente de polícia Pablo, que não trabalha na Bimba y Lola, mas trocou bilhetes de lotaria com o amigo Diego que é um dos funcionários.
Funcionários da Bimba y Lola celebram a lotaria
SALVADOR SAS/EPA
“Gostaria de dar entrada num apartamento. É o tipo de coisa que as pessoas dizem, mas no fim das contas, pode ser que [o dinheiro termine tudo em parvoíces”, desabafa Fernando, de 29 anos, que ainda se diz a viver um “sonho”. Curiosamente, também parece um ano de sonho para a própria Bimba y Lola, que termina assim as celebrações das duas décadas de história – estima-se que a marca factura cerca de 234 milhões anuais, de acordo com o jornal El Español.
A vida pode não mudar com a lotaria, mas certamente será um Natal mais afortunado para estes espanhóis. E ainda mais para os vencedores do primeiro prémio do El Gordo, com número 79.432, que rendeu quatro milhões de euros, distribuídos por 198 apostadores sobretudo na região de Castela e Leão, uma das zonas mais afectadas pelos incêndios do Verão passado.