Sim, GTA 6 ainda pode demorar algum tempo a chegar, mas isso dá-nos uma excelente oportunidade para revisitar todos aqueles jogos da Rockstar que adorámos no passado, quem sabe até descobrir alguns que possam ter-nos passado ao lado. Mas quais são os títulos do lendário estúdio de Grand Theft Auto que merecem prioridade?
Fizemos a seleção e classificámos os nossos favoritos. Desde as travessuras escolares até aos contos trágicos do Velho Oeste americano, eis os 10 melhores jogos da Rockstar. Jogaste-os todos?
10. Manhunt

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Para um estúdio habituado a gerar polémica pelo conteúdo dos seus jogos, talvez nenhum tenha causado tanto alvoroço quanto Manhunt. Um jogo de terror e ação furtiva onde controlas um condenado no corredor da morte, forçado a participar numa série de “snuff movies” ao som da voz de Brian Cox (sim, antes de Succession), não surpreende que o título tenha chocado a imprensa e sido banido em vários países.
Mas a controvérsia conta apenas metade da história, porque Manhunt é um bom jogo e um dos mais singulares da Rockstar. Uma sátira perturbadora sobre a fascinação dos EUA pela violência, é brutal, mas também psicologicamente inteligente. Os corredores lineares criam uma tensão que muitos dos outros jogos da Rockstar, focados em mundos abertos, nunca conseguiram reproduzir. O resultado é uma experiência intensa, focada e implacável. Já com mais de 20 anos, Manhunt continua gravado na memória… talvez também porque a sua icónica capa, a fitar-nos nas prateleiras das lojas, assustava qualquer criança curiosa.
9. GTA 3

Poucos jogos mudaram o rumo do desenvolvimento de videojogos como Grand Theft Auto 3. O mundo aberto de Liberty City serviu de palco a uma história de gangues, drogas e traição, na primeira entrada 3D da série. Dizer que foi revolucionário é pouco, o salto para uma câmara ao nível da rua e a liberdade que oferecia eram inéditos na PlayStation 2. Uma cidade viva, cheia de possibilidades, de missões paralelas e minijogos que complementavam uma narrativa cinematográfica de vingança e ambição criminosa, com vozes de luxo como Frank Vincent e Joe Pantoliano (de The Sopranos).
Hoje, Liberty City pode parecer pequena, mas desbloquear as três ilhas do mapa, cada uma com a sua própria identidade, era quase milagroso em 2001. Certo, as missões repetitivas e a condução arcaica denunciam a idade, mas a força da história e das personagens mantém-se. GTA 3 continua a ser essencial para perceber onde nasceu o ADN dos mundos abertos modernos.
8. Bully

Bully é muitas vezes descrito como “GTA, mas numa escola” e até certo ponto, é exatamente isso. Substitui as caçadeiras por fisgas e os muscle cars por karts, e o resultado é um simulador de caos adolescente num colégio interno de New England. Jimmy Hopkins, o protagonista de 15 anos, é um delinquente com um histórico de expulsões que precisa sobreviver a um ano em Bullworth Academy. As aulas, as rivalidades entre grupos e a política dos corredores servem de pano de fundo para mais uma sátira social à moda da Rockstar.
Andar de skate ou bicicleta pelo campus e pelos subúrbios é um prazer, especialmente graças a locais memoráveis como o parque de diversões ou o manicómio Happy Volts. O mapa muda com as estações e o humor ácido de Bully continua a brilhar. Jogá-lo hoje pode ser um pouco frustrante, a câmara é caprichosa e há botões a mais para eventos rápidos, mas continua a ser incrivelmente divertido. E talvez, quando GTA 6 estiver terminado, a Rockstar finalmente nos dê a sequela que esperamos há quase 20 anos.
7. GTA 4

Há quem diga que Niko Bellic é o melhor protagonista de toda a série GTA e é difícil discordar. Se todo o jogo o acompanha à altura, já é outra questão. Lançado em 2008, GTA 4 apresentou uma Liberty City mais sombria e realista, e uma história sobre o sonho americano e a vida dos imigrantes. Pela primeira vez, a Rockstar mergulhou em temas adultos com uma maturidade surpreendente. A cidade era um feito técnico para a época, vibrante e detalhada, ainda que visualmente presa à paleta acinzentada típica da era Xbox 360.
Onde o jogo perde força é nas missões repetitivas, demasiadas viagens de carro e alvos isolados, embora a lendária missão do assalto ao banco Three Leaf Clover tenha definido um novo padrão. Niko continua inesquecível: um homem marcado pela guerra, dividido entre moral e sobrevivência. E sim, ainda preferimos ir jogar bowling com o primo Roman.
6. GTA Vice City

Poucos cenários de videojogos são tão icónicos quanto Vice City. Ruas banhadas em néon, uma banda sonora recheada de êxitos dos anos 80 e o carisma inconfundível de Tommy Vercetti, interpretado por Ray Liotta (Goodfellas). Lançado apenas um ano após GTA 3, foi impressionante o salto em narrativa, humor e ambição visual. Miami nunca pareceu tão vibrante e perigosa.
A história, repleta de paralelismos com Scarface, trouxe um novo nível de exuberância à série. Sim, os controlos e algumas missões datadas denunciam o tempo, mas nada disso apaga o charme duradouro de Vice City. É um marco da Rockstar e mal podemos esperar para regressar a essas praias e clubes em GTA 6.
5. Max Payne 3

Em Max Payne 3, a Rockstar assumiu as rédeas da série depois dos dois títulos da Remedy, e a mudança foi total. Sai o noir gelado de Nova Iorque, entra o calor abrasador do Brasil. O tom é mais cru, a ação mais cinemática e a banda sonora da banda Health é simplesmente hipnótica. O “bullet time” mantém-se como o grande protagonista e nunca foi tão satisfatório saltar em câmara lenta, de armas em punho, a espalhar o caos por um corredor ensopado em luz estroboscópica.
A diferença entre Remedy e Rockstar é clara: a primeira foca-se em dramas pessoais e psicológicos, a segunda em críticas sociais e políticas. Max Payne 3 funde ambas as visões num espetáculo visual e moralmente sombrio, uma reinvenção ousada e brilhante de um ícone do pós-Matrix.
4. GTA San Andreas

Se a diferença entre GTA 3 e Vice City foi grande, a de San Andreas foi colossal. Em apenas dois anos a Rockstar criou o seu primeiro “estado” completo: uma versão de Califórnia dividida entre cidades, montanhas e desertos. Cada zona tem a sua própria personalidade e a escala era impressionante para a PS2. A jornada de CJ entre Los Santos, San Fierro e Las Venturas era uma autêntica road trip virtual.
Mas não foi só o tamanho: San Andreas trouxe RPGs e simuladores de vida para o crime urbano. O jogador podia treinar, engordar, mudar de roupa e cortar o cabelo, tudo afetava o corpo e o respeito na rua. CJ, dublado pelo rapper Young Maylay, é um protagonista carismático e humano, envolvido numa história de família, lealdade e traição, com Samuel L. Jackson no papel do inesquecível vilão Tenpenny. Um clássico absoluto e o auge da era PS2.
3. Red Dead Redemption

Antes de 2010, a Rockstar já mostrava ambições cinematográficas, mas Red Dead Redemption foi o momento em que o estúdio se tornou verdadeiramente épico. Inspirado em clássicos como The Wild Bunch, segue John Marston, um fora-da-lei em busca de redenção numa América em mudança. O ritmo é mais calmo, o tom mais melancólico e o resultado é uma das histórias mais humanas que o estúdio alguma vez contou.
O ambiente rural permitiu à Rockstar explorar novos tons visuais e emocionais. A banda sonora de Woody Jackson substitui as rádios caóticas dos GTA e o final, sem spoilers, continua, 15 anos depois, entre os mais marcantes da história dos videojogos. Uma obra-prima que envelheceu com elegância e emoção.
2. GTA 5

Grand Theft Auto 5 é puro espetáculo em escala, produção e ambição. Três protagonistas, um enredo satírico sobre o capitalismo e a obsessão pelo dinheiro e assaltos que parecem saídos de Hollywood. Michael, Franklin e Trevor formam o trio mais carismático que a Rockstar já criou e isso reflete-se em cada missão numa explosão de ritmo e humor.
Desde 2013, GTA 5 continua a crescer com GTA Online, criando um ecossistema interminável de heists, corridas e caos. Mas é a campanha que resiste ao tempo, uma história brilhante sobre ganância e identidade. Ainda hoje é o padrão de ouro para o género. E sim, é por isto que todos queremos ver como GTA 6 vai tentar superá-lo.
1. Red Dead Redemption 2

O culminar de tudo o que a Rockstar aprendeu até hoje. Red Dead Redemption 2 redefiniu o realismo nos mundos abertos quando foi lançado em 2018. Cada animal, cada NPC, cada respiração parece viva. E no centro de tudo está Arthur Morgan, o protagonista mais complexo, trágico e humano que a Rockstar alguma vez escreveu.
A história da gangue Van Der Linde é um épico moral sobre lealdade, decadência e sobrevivência. Desde os confrontos entre as famílias Gray e Braithwaite até ao assalto em Saint Denis e à fuga tropical para Guarma, cada capítulo é memorável. É uma tapeçaria cinematográfica de tirar o fôlego, escrita com mestria e encenada com alma. O melhor jogo da Rockstar e um dos maiores feitos da história dos videojogos.