“O segundo AVC fez exatamente o mesmo que o primeiro”, contou Nuno Markl, que recorda o momento em que sofreu o segundo AVC, já no hospital, como “um dos dias mais tristes” da sua vida
Nuno Markl revelou que sofreu um segundo AVC, poucos dias após o primeiro, e que esse segundo incidente – que os médicos descreveram como uma “raridade científica” – o fez voltar “não ao zero, mas a menos 30” no processo de recuperação.
“Foi dos dias mais tristes da minha vida”, confessou, no episódio mais recente do podcast ‘Isso não se diz’, de Bruno Nogueira. Nesse dia, contou, “tinha estado a andar, a treinar a subir e descer escadas”.
Já tinham passado cinco dias desde o primeiro AVC e Nuno Markl contou que “já mexia a mão, já segurava no telemóvel com esta mão [do lado esquerdo, o lado afetado], já conseguia lavar a cabeça com as duas mãos”.
Até que, mais tarde nesse dia, “de repente” deixou de sentir o pé. “As enfermeiras precisavam que eu desse um jeitinho com as pernas para meterem uma maca dentro do meu quarto. E eu, que já mexia as pernas na boa, de repente olho para o pé, estava parado e eu pensei: ‘Está preso nalguma coisa da mesa, não estou a conseguir mexer’”, recordou Nuno Markl, que percebeu, então, que o pé “estava completamente solto” e que “deixou de mexer outra vez”, tal como o braço.
Os médicos confirmaram que se tratava de um segundo AVC. “O primeiro AVC foi hemorrágico, o segundo foi isquémico. Não consigo distinguir bem os dois”, admitiu, apontando que “o segundo [AVC] fez exatamente o mesmo que o primeiro” ao nível dos sintomas.
“O que o segundo fez, basicamente, foi com que eu regressasse não a zero, mas a menos 30” na recuperação, lamentou Markl, acrescentando que o médico que o acompanhava o informou de que o que lhe aconteceu foi “uma raridade científica”, uma vez que, regra geral, “o que acontece é primeiro [um AVC] isquémico e depois um hemorrágico”.
“Se me tivesse deixado dormir, já não estava cá”
No episódio, Nuno Markl recordou o momento em que o filho, Pedro, o ajudou quando teve o primeiro AVC. O radialista e comediante estava na casa de banho, em casa, quando deixou de sentir metade do corpo. “Foi como se um raio me estivesse a cair em cima, foi instantâneo. Num segundo estou a mexer a perna e está tudo bem e, no outro, vou para me levantar da sanita e percebo ‘eu não consigo mexer nada’, morreu uma perna e morreu um braço”, contou.
Naquele momento, Markl entrou em pânico e num “absoluto terror”. “Comecei a entrar num pânico que eu nunca antes senti em toda a minha vida”, confessou, ao mesmo tempo que estava “numa espécie de negação”, tanto que conseguiu debruçar-se no lavatório e mandar água para a cara, acreditando que poderia ajudar.
“Consegui puxar as calças e pensei: ‘Eu não tenho outra maneira de sair daqui senão resvalando para o chão’. Foi o que fiz, fiquei deitado no chão da casa de banho todo torto e pensei ‘eu não quero assustar o Pedro mas não tenho outra solução senão chamá-lo’”, recordou.
Quando chamou pelo filho, Markl não reconheceu a própria voz nem a dicção. “Estava esquisita”, descreveu. Assim que o filho chegou, Markl começou a ficar com sono. “Já me explicaram que se me tivesse deixado dormir, já não estava cá.”
Percebendo isso, o filho de Markl tentou mantê-lo acordá-lo. “Começou a dizer-me: ‘Papá, não durmas, papá, não durmas’. E disse uma frase que até hoje me faz chorar”, recordou Markl, emocionando-se. “Ele disse: ‘Lembra-te de nós no cruzeiro’”, evocando memórias de ambos juntos. “E foi inacreditável. Eu comecei a entrar numa espécie de braço de ferro comigo próprio, para não me deixar dormir.”
Apesar dos apelos de Markl para que o filho não “assustasse” ninguém com o que se estava a passar, explicando, como conseguia, que estava só “muito cansado”, o filho ligou para o 112. “E, de uma maneira super articulada e super madura, ele liga para o 112 e faz a descrição perfeita de tudo o que está a acontecer”, contou Markl, que sabe hoje que “tudo isto foi provocado por hipertensão”.
Antes disso, “eu sentia-me bem”, acrescentou Markl, recordando uma ocasião em que, por acaso, tinha medido a tensão arterial e estava alta, tal como estava quando os bombeiros o socorreram em casa. “Já me explicaram que uma pessoa pode estar a sentir-se muito bem, pode estar num destino paradisíaco de férias, e ter um AVC.”
Por isso, o radialista e comediante deixa um apelo a quem enfrente a mesma situação: “Se conseguirem mexer um dos lados, liguem logo para o 112. Não pensem que é só cansaço, como eu.”