«Amo-te muito»: Antes de pôr termo à vida, Dinis, de 16 anos, mandou uma última mensagem à irmã

O ano ficou marcado por uma sucessão de tragédias em Castro Daire, depois da morte de dois adolescentes com apenas 16 anos, em circunstâncias que levantaram muitas perguntas sem resposta. Em maio, Martim pôs termo à própria vida, deixando uma mensagem de despedida. Três meses depois, em setembro, foi Dinis, amigo e colega de turma, quem seguiu o mesmo caminho.

Dinis era aluno da Escola Secundária de Castro Daire, praticava desporto, tinha planos para o futuro e falava com entusiasmo do que queria ser. No entanto, na madrugada de 20 de setembro, foi encontrado morto no sótão da casa onde vivia com os pais. O choque foi imediato, tanto para a família como para a comunidade escolar, que ainda tentava lidar com a morte de Martim, ocorrida a 29 de maio.

As semelhanças entre os dois casos — a idade, a escola, a ligação de amizade — levaram a que se falasse publicamente na hipótese de um pacto de morte. 

No dia da sua morte, Dinis enviou um e-mail de despedida à diretora de turma e trocou mensagens com a irmã, Carla Silva. «Ele dizia “Olá amorzinho” e ele só me escreve isso se quissesse algo. Naquela noite eu respondi o que ele queria e ele disse “nada. Amo-te muito”. Na manhã seguinte mandei-lhe mensagem e não tive mais resposta». 

Carla, a irmã mais velha, continua à procura de respostas. Viviam uma relação muito próxima e foi ela quem, após a morte de Martim, tentou afastar Dinis da tristeza, levando-o consigo para a Suíça durante o verão. Segundo relata, o jovem parecia bem, fazia planos e mantinha contacto diário com a família. “Prometeu-me que não faria o mesmo que o Martim”, recorda, entre lágrimas.

A família rejeita a ideia de um pacto de morte e acredita que há ainda muito por esclarecer. Carla decidiu transformar a dor numa missão e aceitou colaborar com uma associação, apoiando colegas e jovens que procuram respostas ou precisam de desabafar.