A rede sul de telescópios do maior e mais potente observatório de raios gama do mundo começou a ser construída na quarta-feira no Chile, anunciou o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), parceiro da infra-estrutura.
O Observatório Cherenkov foi projectado para “detectar raios gama de energia muito elevada emitidos pelos eventos mais violentos e poderosos do Universo”, como buracos negros e estrelas de neutrões, segundo o ESO, e será composto por mais de 60 telescópios repartidos por dois locais, Chile e Canárias, em Espanha.
A rede sul do observatório, no Chile, terá 50 telescópios, com os primeiros a serem instalados no monte Paranal “até ao final de 2026”, permitindo “captar uma vasta gama de energias, milhares de milhões de vezes mais energéticas do que a luz visível”.
Ficarão situados a menos de dez quilómetros a sudoeste do local onde se encontra instalado o telescópio VLT do ESO.
Em comunicado, o ESO, organização astronómica da qual Portugal faz parte, adianta que o Observatório Cherenkov “detectará radiação de alta energia com uma precisão sem precedentes”.
“Quando um fotão gama energético atinge a atmosfera da Terra, produz uma cascata de partículas que dá origem à emissão de um tipo de radiação conhecida por radiação de Cherenkov – um característico clarão de luz visível azul ténue. Esse clarão dura apenas alguns milésimos de milionésimos de segundo, por isso tem de ser captado por câmaras extremamente rápidas e sensíveis, instaladas em telescópios com enorme poder para captar a luz e a operar sob céus muito escuros e límpido”, esclarece o ESO.