Num mercado onde a electrificação avança a tropeções, sobretudo depois de revelada a intenção de aliviar a meta de zero emissões de ligeiros em 2035, as soluções intermédias poderão vir a reconquistar relevância. É neste contexto que a Dacia apresenta uma proposta pouco comum: é um híbrido, que conta com um motor eléctrico no eixo traseiro, dotando a variante de tracção integral, mas também se apresenta com um motor térmico, com apoio eléctrico de 48V, que tanto pode valer-se de gasolina como do mais económico e menos poluente GPL. Uma solução que permitiu fazer crescer a potência para os 150cv, que se exprimem com vigor quando enfrenta complicações.
Isso, defende a Dacia, permite que o Duster continue a satisfazer necessidades dos clientes, “cimentando-se como uma referência no TT”, mas agora com transmissão automática (seis velocidades), que representa cerca de metade das preferências quando se olha para os SUV de segmento B e em torno de 70% no caso dos SUV familiares.
E, para mostrar do quão confiante está no seu produto para o off-road, escolheu o deserto de Agafay, nos arredores de Marraquexe, Marrocos, que oferece uma sucessão de pistas de terra batida, areia solta, zonas pedregosas e desníveis acentuados, para nos desafiar a pôr à prova o Duster.
Em modo Auto, o sistema gere de forma praticamente imperceptível a alternância entre tracção dianteira e integral. A entrada do motor eléctrico traseiro faz-se de modo progressivo, garantindo motricidade adicional sem reacções bruscas, mesmo quando o piso alterna rapidamente entre zonas compactas e empedrado mais solto. Uma mais-valia para os menos experientes, que, em vez de se concentrarem na gestão do comportamento do automóvel, podem prestar atenção à leitura do terreno.
Quando as dificuldades aumentam, basta girar um botão, junto à alavanca das mudanças, para o modo Lock, particularmente útil em subidas mais exigentes, mantendo o Duster a rolar de forma estável, comportamento para o qual contribui a existência de uma caixa de duas velocidades associada ao motor eléctrico traseiro, o que garante um binário elevado a baixa velocidade, quando engatada a primeira mudança, mas também põe o motor eléctrico a girar mais lentamente a alta velocidade, aproveitando uma ampla cobertura de tracção do eixo traseiro até 140 km/h.
No entanto, o foco do novo Dacia Duster Hybrid-G não se fica pela forma como encara o fora de estrada. A marca destaca sobretudo a eficiência global do conjunto mecânico, que se vale de um motor a combustão 1.2 mild-hybrid de 48V, acoplado a uma transmissão automática de dupla embraiagem, o que resulta em respostas suaves e que, em ambiente urbano, consegue pôr-nos a circular em modo 100% eléctrico até 60% do tempo. Já a existência de um depósito a GPL é uma boa notícia para quem pretende poupar no dia-a-dia, até porque o consumo médio homologado anda nos 4,1 kg/100 km, o que significa que o custo de uma centena de quilómetros rondará os 3,50€, além se apresentar menos prejudicial para o ambiente. Não sendo inócuo, o GPL emite menos CO2 e óxidos de azoto (NOx) quando comparado com a gasolina.
A arquitectura da tracção integral eléctrica apresenta ainda vantagens claras em estrada. O eixo traseiro pode ser completamente desengatado quando não é necessário, reduzindo perdas mecânicas e consumos. A transição entre configurações é rápida e discreta, o que favorece uma condução relaxada em percursos longos. Trata-se de uma solução tecnicamente elaborada, mas pensada para não exigir aprendizagem por parte do utilizador.
E, ao contrário do que sucede com várias soluções híbridas, como o primo afastado Renault Clio, que, recorrendo a um bloco de grande cilindrada, acabam penalizadas na altura de calcular o ISV, o 1.2 que serve o Duster não o castiga em demasia, o que permite manter o preço bem abaixo da linha dos 30 mil euros – é proposto a partir de 27.580€, estando disponível a partir da já bem recheada versão Expression; a mais apetrechada versão Extreme apresenta-se desde 29.700€.