Um “onze” perfilado no círculo central e o adversário à espera que se esgotasse o minuto de protesto. Foi assim que começou o Caldas-Sp. Braga, dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, depois de a equipa da casa ter sido forçada a disputar o jogo em Torres Vedras. No final, a lógica imperou e os minhotos seguiram em frente na prova (0-3), graças a um arranque de segunda parte verdadeiramente demolidor.
A história do Caldas-Sp. Braga começou pela manhã, quando os caldenses se manifestaram contra a decisão da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) de empurrar o encontro para fora do Campo da Mata, por falta de condições de segurança (“relvado impraticável”). O actual 5.º classificado da Série B da Liga 3 sentiu-se desrespeitado, ameaçou mesmo não ir a jogo, mas decidiu manifestar o desagrado de forma mais simbólica, logo após o apito inicial.
Depois, a defender com uma linha de cinco e a atacar em 3x4x3, foi à procura da surpresa na Taça e equilibrou o encontro no primeiro tempo. José Vala promoveu várias alterações face ao jogo do campeonato, adoptando o mesmo critério de Carlos Vicens, que operou sete mudanças em relação ao jogo com o Estoril, e nos primeiros 45 minutos o Caldas até foi mais perigoso de bola corrida — o Sp. Braga assustou nos últimos minutos, essencialmente em lances de bola parada.
O arranque do segundo tempo, porém, foi devastador para as ambições dos caldenses. Aos 50’, um canto de Ricardo Horta foi finalizado de cabeça, a dois tempos, com assistência de Paulo Oliveira e conclusão de Fran Navarro; aos 53’, déjà vu, com canto de Horta e finalização de Paulo Oliveira; aos 59’, novamente Horta a assistir para remate colocado de Mario Dorgeles.
O Caldas — que vinha de uma série de sete jogos sem ganhar — ia ao tapete e a sucessão de substituições que se seguiu, de parte a parte, contribuiu para que os minhotos estancassem o jogo e estivessem até mais perto de chegar ao quarto golo, desperdiçado por Fran Navarro. Mas foi essencialmente a vontade de gerir a vantagem com bola que marcou os derradeiros minutos, sem que que os anfitriões tivessem condições para minimizar os estragos.
Contas feitas, vitória clara (e justa) do Sp. Braga, que na próxima ronda vai defrontar o vencedor do embate entre Lusitano de Évora e Fafe, agendado para o início da tarde de sábado (14h). Depois de ter eliminado o Bragança e o Nacional nas duas primeiras rondas, está agora a um triunfo da presença nas meias-finais, fase na qual poderá cruzar-se com Sporting ou AFS.