CRÓNICA || Jogo mais difícil que fácil para o Sporting, sobretudo depois de Rui Silva ter deixado entrar uma bola que tinha mesmo de defender. Pelo meio de tudo isso, e até para Roberto Martínez ouvir, o que joga Francisco Trincão
Privado de Pedro Gonçalves, Geovany Quenda e até de Geny Catamo – que já está na CAN ao serviço de Moçambique -, Rui Borges teve de se reinventar no ataque para garantir que o Sporting não perdia fôlego numa das deslocações mais difíceis do campeonato.
E para quem tinha dúvidas, as trocas promovidas pelo treinador leonino mostraram que o ambiente é de tal maneira bom que nem a troca das peças emperra a máquina.
Também já sem Ousmane Diomande – igualmente na CAN, mas ao serviço da Costa do Marfim -, Rui Borges fez entrar Eduardo Quaresma para o centro da defesa, mas foi no ataque que esteve a maior novidade, ainda que praticamente obrigatória.
A Luis Suárez juntou-se Fotis Ioannidis, grego que já mostrou qualidade, mas que teve azar em apanhar um super colombiano à sua frente.
A mesma ideia, certo, mas com intérpretes diferentes, já que não deixam de ser dois avançados, mesmo que com grande mobilidade.
No fundo, Rui Borges tratou de juntar na mesma equipa o seu desejo (Luis Suárez) e um sonho antigo do Sporting de Ruben Amorim (Fotis Ioannidis), mostrando que se mexem as peças e até as caraterísticas, mas esta é uma equipa com uma solidez de invejar.
E se a partida não estava a ser assim tão fácil, mesmo perante o domínio dos leões, um erro de Samu acabou por ajudar a abrir a porta da defesa do Vitória, que voltou a contar com grande apoio em Guimarães.
O médio deixou passar a bola por baixo das pernas para dar sequência a uma boa saída, mas não podia ter tomado a pior decisão, já que não só deixou o esférico nos pés de um adversário, como esse adversário era Francisco Trincão – não dá mesmo para Roberto Martínez ignorar isto na convocatória para o Mundial.
O 17 do Sporting não pediu licença e nem olhou para trás para ver o que se tinha passado. Galgou metros com a bola ali coladinha ao pé esquerdo, para depois servir um colega e mais à frente ser ele mesmo a fazer o golo, ainda que apenas à segunda, já que o primeiro remate foi ao poste.
Quebrada a resistência do D. Afonso Henriques, o Sporting entrava numa fase diferente do jogo, colocando-se numa boa posição para abordar a partida de outra forma.
Com o ascendente sempre do seu lado, e mesmo com novo falhanço de Samu – desta vez na área contrária, a atirar para as nuvens a melhor oportunidade do Vitória -, foi com naturalidade que o Sporting chegou ao 0-2, numa jogada em Francisco Trincão voltou a ser a chave.
Novamente pelo meio do terreno, onde lhe foi exigida maior presença perante a tática com dois avançados, o mágico português avançou e desferiu um passe magistral para Ricardo Mangas, que olhou, pensou e pesou tudo com cuidado, antes de servir Fotis Ioannidis para um grande golo.
Vantagem aumentada à beira da segunda parte e um claro baque no Vitória, que ainda tentou esboçar uma reação, mas já não conseguiu.
Um pouco à imagem do que tinha acontecido em casa com o AFS na última jornada, o Sporting demorou um pouco a chegar onde queria, mas a partir daí meteu a velocidade de cruzeiro e confirmou o bom momento apenas eclipsado pela partida a meio da semana passada nos Açores.
Numa segunda parte que começou de forma enérgica e com o Vitória a mostrar vontade de reagir, foi um autêntico frango de Rui Silva a colocar o resultado em dúvida. Telmo Arcanjo atirou forte de fora da área, mas o guarda-redes do Sporting não pode mesmo deixar entrar aquela bola.
Mas até esse teste foi importante para se perceber que o Sporting pode tremer, mas não abana muito e muito menos cai. Menos de 15 minutos depois, o outro lado da sociedade Luis Suárez & Fotis Ioannidis fez estragos, com o colombiano a ser o único que acreditou numa bola quase perdida, devolvendo-a ao terreno de jogo, onde Juan Castillo acabou por introduzir na própria baliza, num lance que também roçou o frango.
Depois de um quarto de hora de susto, o Sporting sossegou novamente, trancando um jogo em que pouco mais permitiu ao Vitória, mesmo que a equipa da casa tenha tentado.
Maior sossego depois a partir do minuto 79, quando Francisco Trincão voltou a abrir o livro, mas Luis Suárez não conseguiu marcar à primeira. Tudo bem para o Sporting, que estava lá Maxi Araújo para empurrar os centímetros que faltavam.
Com a sensível questão das lesões e as ausências da CAN, o Sporting confirmou que os seus dois avançados podem e devem jogar juntos quando se justificar, goleando um Vitória num terreno que é sempre difícil.
Segue então a tarefa dos leões, que voltam a ficar a cinco pontos do líder FC Porto e três à frente do Benfica.