Volodimir Zelensky está disposto a retirar tropas ucranianas de partes de região de Donetsk que se encontram debaixo de controlo da Ucrânia, abrindo assim espaço para uma zona desmilitarizada como parte de um possível acordo de paz de 20 pontos elaborado com os Estados Unidos da América.

A informação foi inicialmente avançada pelo The New York Times, que dava conta da disponibilidade de Zelensky em abrir mão da presença militar nesse território com uma condição: as forças russas teriam de proceder de forma igual e retirar as botas do terreno, algo que contrasta com a vontade de Vladimir Putin que se tem demonstrado recorrentemente inflexível em abrir mão de Donetsk, afirmando que quer a cidade sob o seu controlo.

Por esclarecer, fica ainda o que aconteceria à tal zona desmilitarizada – Zelensky falou numa “zona franca económica” – e à central nuclear de Zaporizhzhia, embora o primeiro-ministro ucraniano tenha sugerido uma gestão da infra-estrutura a quatro mãos com os EUA.

Esta é a primeira vez que Zelensky admite um cenário destes sobre disputas territoriais no leste do país e esta proposta será apresentada oficialmente a Vladimir Putin ainda esta quarta-feira como parte de um plano de paz de 20 pontos delineado pelos Estados Unidos da América e pela Ucrânia.

Este plano, que será comunicado pelos norte-americanos a Putin, engloba também um “acordo de garantias de segurança tripartidas entre Ucrânia, Europa e EUA e um acordo bilateral de garantias de segurança entre a Ucrânia e os EUA”, lê-se no Kyiv Independent. “Fizemos progressos significativos na finalização dos documentos”, disse Zelensky, citado pelo jornal ucraniano.

Segundo o esboço de 20 pontos, a eventual aprovação do documento final “terá de ser assinada pelos líderes da Ucrânia, dos EUA, da Europa e da Rússia” e “o cessar‑fogo deverá começar logo que o acordo seja assinado”. “Para que o acordo entre em vigor, deve ser ratificado pelo parlamento ucraniano e/ou apoiado pelo povo ucraniano em referendo, que poderia ocorrer potencialmente dentro de 60 dias”, cita o Kyiv Independent.