Pesquisadores e empresas espaciais estão avançando na ideia de uma estação espacial modular que possa ser lançada em um único foguete e depois se montar automaticamente em órbita, aproximando-se de uma proposta que até recentemente parecia mais ficção científica do que realidade prática. A novidade foi destacada em reportagens sobre propostas emergentes no setor aeroespacial que buscam reduzir a complexidade e o custo de construir infraestrutura humana no espaço usando módulos que se expandem ou se automontam após o lançamento.

O conceito envolve o uso de módulos que cabem dentro da câmara de carga de um único veículo lançador e, uma vez no espaço, se desdobram ou se reconfiguram para formar grandes volumes internos que podem abrigar tripulação, laboratórios e áreas de trabalho. Um dos projetos em evidência é a chamada Thunderbird Station, anunciado por uma empresa privada com sede na Flórida, que se propõe a criar uma estação espacial com cerca de 350 metros cúbicos de volume interno total.

Estação autônoma

Esse volume seria conseguido por meio de um design expansível que sai compacto do foguete e depois se abre ou acomoda extensões em órbita terrestre baixa, reduzindo a necessidade de múltiplos voos de montagem que marcam os métodos tradicionais de construção orbital.

De acordo com os proponentes, essa abordagem pode trazer redução de tempo e de custos substanciais em comparação com estações espaciais convencionais, que requerem diversas missões de montagem no espaço envolvendo ônibus espaciais, naves tripuladas ou robóticas e longos períodos de integração.

A Thunderbird Station foi projetada para ser lançada em um único pacote e depois se expandir para acomodar até quatro tripulantes em permanência contínua ou até oito ocupantes em missões de curta duração, com espaços de convivência, quartos individuais e áreas configuráveis que podem ser adaptadas tanto para trabalho quanto para descanso, repercute o Terra.

Especialistas destacam que uma das vantagens desse tipo de estação é a configurabilidade interna e a capacidade de suportar experimentos científicos, manufatura em microgravidade, pesquisa farmacêutica e outros usos científicos, com compartimentos específicos, equipamentos de pesquisa e espaços projetados para múltiplas funções. Além de alojar tripulantes, esses ambientes podem servir como laboratórios de pesquisa em órbita, incentivando a participação de universidades, empresas e startups no desenvolvimento de novas tecnologias espaciais.

O projeto ainda enfrenta desafios e etapas de validação. A empresa responsável já está trabalhando em protótipos em pequena escala, com planos de testar sistemas de proteção contra detritos orbitais e outras tecnologias de suporte à vida antes de construir a estação completa. A previsão de lançamento da versão final está estimada para 2029, usando um foguete comercial com capacidade de carga compatível com o volume a ser levado ao espaço.