Descontos irresistíveis, mensagens urgentes e apelos à solidariedade: o Natal voltou a ser terreno fértil para burlões cada vez mais sofisticados.
Com a aproximação da época de maior consumo do ano, os alertas contra fraudes digitais voltam a intensificar-se. O banco australiano Westpac chamou a atenção para um conjunto de esquemas que tendem a disparar em dezembro, tirando partido do aumento das compras online, das reservas de viagens e das doações solidárias, num contexto de maior pressa e menor atenção por parte dos consumidores.
Segundo a instituição financeira, os burlões estão cada vez mais organizados e sofisticados, explorando sobretudo as redes sociais e a confiança nas comunicações digitais. Um dos esquemas mais frequentes passa por anúncios fraudulentos em plataformas como Instagram, Facebook ou TikTok, que prometem descontos exclusivos em marcas conhecidas, mas encaminham os utilizadores para sites falsos, onde são recolhidos dados pessoais ou vendidos produtos contrafeitos.
A par destes anúncios surgem as chamadas “lojas fantasma”: websites visualmente credíveis, com imagens profissionais e linguagem comercial cuidada, que oferecem preços demasiado baixos em eletrónica, brinquedos ou artigos de luxo. Após o pagamento, os consumidores nunca chegam a receber os bens adquiridos e os sites desaparecem sem deixar rasto.
Outro método recorrente envolve falsas notificações de entrega. Mensagens enviadas por SMS ou email informam que uma encomenda está atrasada ou retida, solicitando o pagamento de uma taxa adicional. Ao clicar nos links, as vítimas podem instalar software malicioso ou fornecer dados bancários e de cartões de crédito. Também continuam a proliferar esquemas em que os criminosos exigem pagamentos através de cartões-oferta, fazendo-se passar por entidades públicas ou empresas de serviços. O banco sublinha que nenhuma organização legítima utiliza este meio de pagamento.
A tecnologia está igualmente a ser usada para tornar as burlas mais convincentes. Em alguns casos, os criminosos recorrem a contas pirateadas ou a ferramentas de clonagem de voz por inteligência artificial para se fazerem passar por familiares em situação de emergência, pedindo transferências urgentes de dinheiro. No setor das viagens, multiplicam-se anúncios de alojamentos inexistentes e emails falsos de reembolso de companhias aéreas, levando os consumidores a pagar depósitos para reservas que nunca se concretizam.
As campanhas de phishing continuam a assumir várias formas, desde comunicações falsas em nome de bancos e grandes retalhistas até avisos de suspensão de contas ou atrasos em entregas, sempre com um tom alarmista. A generosidade típica da quadra natalícia é também explorada através de falsas instituições de solidariedade e páginas de crowdfunding fraudulentas. A isto juntam-se esquemas associados a empregos sazonais, que exigem pagamentos antecipados ou dados pessoais sensíveis, bem como códigos QR maliciosos colocados em materiais promocionais falsos, capazes de comprometer dispositivos móveis.
Citado em comunicado, o responsável pela área de Prevenção de Fraude do Westpac, Ben Young, alerta que os burlões “não mostram sinais de abrandar à medida que nos aproximamos das festas. Desde fraudes nas redes sociais e lojas fantasma até à personificação e manipulação emocional, continuam a alargar os limites na tentativa de roubar consumidores”, afirma. Segundo o responsável, nesta altura do ano é expetável um aumento de esquemas que combinam ofertas apelativas com exigências de pagamento imediato, bem como falsos alertas de entregas e apelos à solidariedade.
O que fazer para se defender?
O banco recomenda que os consumidores evitem pagar sob pressão e desconfiem de pedidos de pagamento imediato, sobretudo quando envolvem cartões-oferta, criptomoedas ou transferências urgentes porque nenhuma instituição de caridade ou empresa agirá desta forma. Aconselha ainda a verificar cuidadosamente os endereços eletrónicos, a evitar clicar em links com botões “compre aqui” recebidos por mensagens ou redes sociais e a aceder sempre diretamente aos sites ou aplicações oficiais. No caso das doações, a verificação prévia da legitimidade das organizações é essencial, por isso faça uma pesquisa para confirmar a sua existência. Verifique se é legítima.
Sempre que algo pareça fora do normal, a recomendação é agir rapidamente. Identificar transações suspeitas e contactar de imediato o seu banco pode ser determinante para limitar prejuízos. Num Natal cada vez mais digital, a vigilância continua a ser a principal linha de defesa contra um fenómeno que não conhece fronteiras.