“Já recebi muitas manifestações de apoio por parte de colegas da Europa”, acrescentou Lars Løkke Rasmussen. Estado fundador da NATO e membro da União Europeia desde 1973, a Dinamarca sempre viu os EUA como um aliado na política externa. A nomeação de um enviado especial — algo que acontece em zonas de conflitos — faz o governo dinamarquês temer o pior, sendo o cenário mais catastrófico uma futura invasão da Gronelândia pelos Estados Unidos. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reconheceu esta segunda-feira tratar-se de uma “situação difícil” gerada pelos “aliados de longa data” de Copenhaga.

Ainda assim, a primeira-ministra dinamarquesa prometeu que o país não se “desviará dos valores democráticos”, esperando “respeito pela integridade territorial do Reino da Dinamarca”. Vários líderes europeus vieram também declarar apoio a Copenhaga. A líder da diplomacia europeia, Kaja Kallas, garantiu que a União Europeia continua ao lado “da Dinamarca e da Gronelândia”: “Esperamos que todos os nossos parceiros respeitem a sua soberania e integridade territorial e cumpram os compromissos internacionais, inscritos na Carta das Nações Unidas e no Tratado Atlântico Norte”.

Ainda não são conhecidos grandes detalhes de como Jeff Landry chegou ao cargo de enviado especial. O fiel trumpista do Louisiana é dos defensores mais acérrimos da administração Trump e terá sido ele que, segundo disse o Presidente norte-americano, lhe sugeriu a criação do cargo: “Ele ligou-me, lembrou-se da compra de Louisiana, e disse-me ‘sou governador de Louisiana’. Não lhe liguei, foi ele que me ligou. Ele é muito pró-ativo, é um tipo excelente, é um tipo que faz negócios”. 

Nas declarações aos jornalistas, Donald Trump voltou a justificar que os Estados Unidos da América precisam da Gronelândia por questões de “segurança nacional”. “Eles têm uma população muito pequena e, não sei, dizem que a Dinamarca não gasta dinheiro lá com a proteção militar”, frisou o Presidente norte-americano, que alegou que os dinamarqueses chegaram à Gronelândia “de barco há 300 anos”. “Nós também estivemos lá de barco também.”

Insistindo da necessidade da Gronelândia para questões de “segurança nacional”, o chefe de Estado norte-americano recusou tratar-se de uma corrida por recursos naturais da maior ilha do mundo. “Nós temos tantos minerais e tanto petróleo”, justificou. Em vez disso, Donald Trump voltou a aludir à competição que ocorre atualmente na região do Ártico — em que os Estados Unidos enfrentam a Rússia e a China. “Se se olhar para a Gronelândia, há vários navios russos e chineses”, argumentou, destacando que o “assunto” em redor do controlo e da gestão da ilha é “sério”. 

O argumento parece ser responsabilizar a Dinamarca por não gerir bem a Gronelândia. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, assinalou, no mesmo sentido, que o país nórdico não investiu o suficiente para manter “as bases, as tropas e as pessoas da Gronelândia seguras” das “incursões agressivas da Rússia e da China” na região do Ártico. “Nos últimos 20 anos, a Dinamarca tem falhado“, criticou o número dois da administração Trump, comparando que a “área em redor está menos segura do que estava há 30 e 40 anos”.