
Deixar a loiça de molho, mesmo em água quente, cria o ambiente ideal para a multiplicação das bactérias. O ideal é lavar a loiça pouco depois da sua utilização, idealmente na máquina.
Com a chegada das festas de fim de ano, que trazem consigo refeições mais substanciais e pilhas de loiça suja, pode ser tentador deixar a lavagem para mais tarde. Mas deixar a loiça no lava-loiça, especialmente em água quente, pode expor as famílias a níveis mais elevados de bactérias nocivas.
Pesquisas sugerem que os lava-loiças da cozinha estão entre os locais mais contaminados por germes numa casa. Um estudo de 2019 examinou superfícies de cozinhas em 46 casas no Reino Unido e descobriu que os lavatórios e as torneiras apresentavam as maiores cargas bacterianas, superando outras áreas de utilização comum. Os resultados foram atribuídos ao contacto frequente com alimentos crus, às mãos não lavadas e à humidade constante, tudo condições que permitem a proliferação de bactérias.
O estudo identificou uma vasta gama de bactérias frequentemente encontradas em pias de cozinha, incluindo Enterobacter cloacae, Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Bacillus subtilis e várias espécies de Staphylococcus. Sabe-se que alguns destes micróbios causam doenças transmitidas por alimentos, particularmente em indivíduos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com o sistema imunitário enfraquecido.
Deixar a loiça suja no lava-loiça pode agravar o problema. A água morna e parada cria um ambiente ideal para a proliferação de bactérias, permitindo que se multipliquem rapidamente. Mesmo deixar os pratos de molho durante a noite oferece pouca proteção, dizem os especialistas.
“Se os utensílios estiverem imersos numa piscina de bactérias nocivas, torna-se mais difícil eliminar todas as bactérias durante a limpeza”, disse Brian Labus, professor associado de epidemiologia na Universidade do Nevada. Embora os ambientes secos possam atrasar o crescimento bacteriano, muitos microrganismos podem sobreviver e proliferar mais tarde, quando as condições melhorarem. Os restos de comida deixados de lado também podem atrair insetos, que podem espalhar bactérias pela cozinha.
Mesmo uma lavagem cuidadosa da loiça pode não eliminar todos os agentes patogénicos. Um estudo de 2003, que analisou bactérias comuns causadoras de intoxicação alimentar, descobriu que alguns microrganismos podem sobreviver aos métodos padrão de lavagem e secagem à mão. Pesquisas adicionais demonstraram que até as máquinas de lavar loiça domésticas nem sempre eliminam todas as bactérias nocivas.
Segundo os cientistas, o método mais eficaz envolve máquinas de lavar loiça equipadas com ciclos de vapor sobreaquecido, que expõem os utensílios a um calor intenso durante pelo menos 25 segundos. Sem esta funcionalidade, algumas bactérias podem permanecer nos pratos, taças e talheres.
Os especialistas em saúde afirmam que a prevenção é fundamental. Lavar a loiça imediatamente após a utilização reduz a acumulação de bactérias e diminui o risco de contaminação cruzada. Quando a lavagem imediata não é possível, a desinfeção regular do lava-loiças torna-se essencial, especialmente durante períodos de utilização intensa da cozinha, como as férias.