Várias cidades por todo o mundo, como Paris, Hong Kong e Belgrado, cancelaram ou alteraram as habituais celebrações de Ano Novo devido a preocupações de segurança. Na Turquia, 115 indivíduos foram detidos, nesta quinta-feira, acusados de serem membros do Daesh e por, segundo as autoridades turcas, estarem a planear ataques terroristas durante o período festivo que se aproxima. O procurador de Istambul tinha ordenado a detenção de 137 suspeitos.
De acordo com um comunicado do gabinete do procurador de Istambul, a ordem de detenção aconteceu “após serem recebidos dados dos serviços de informações, indicando que a organização terrorista Daesh estava a planear ataques durante as celebrações de Natal e Ano Novo”. Detenções semelhantes são realizadas regularmente no fim do ano, antes das tradicionais celebrações de Ano Novo.
A Turquia, que partilha uma fronteira de 900 quilómetros com a Síria (que anunciou na quarta-feira a detenção do líder do Daesh em Damasco), teme a infiltração do grupo extremista islâmico, que se mantém activo no país vizinho, tendo os serviços de informações turcos anunciado nesta semana uma outra detenção, que aconteceu “entre o Afeganistão e o Paquistão”, de um suposto líder do grupo terrorista islâmico, que estaria a planear ataques naquela região, bem como na Europa.
Na altura da detenção, o suspeito, Mehmet Gören, que foi, entretanto, levado para a Turquia, foi acusado pelos serviços de informação turcos de “planear ataques suicidas contra civis no Afeganistão, Paquistão, Turquia e Europa”.
Celebrações condicionadas por todo o mundo
Em França, Laurent Nuñez, ministro do Interior, pediu na última sexta-feira, 19, “vigilância máxima” com a aproximação das celebrações de Natal e Ano Novo.
Referindo-se à ameaça terrorista e aos riscos de distúrbios públicos, Nuñez solicitou às autoridades que reforçassem as “medidas de segurança em todo o território” e estabelecessem “uma presença visível e dissuasora”, cita o Le Monde.
Em Paris, o cancelamento dos concertos de Ano Novo realizados nos dois últimos anos ao longo dos Campos Elísios foi decidido pela polícia parisiense. Jeanne d’Hauteserre, presidente do oitavo distrito da capital, afirmou que a preocupação da polícia está relacionada com os “movimentos imprevisíveis da multidão” nos Campos Elísios, que não estão equipados “para acolher este tipo de celebração, em que as pessoas se movimentam constantemente”, noticiou o Le Monde no início do mês.
Em alternativa, os habituais concertos serão pré-gravados e transmitidos pela emissora France 2 durante a passagem de ano. Haverá, no entanto, um espectáculo de fogo-de-artifício a iluminar os Campos Elísios pelas 23h50 de dia 31, refere o jornal francês.
Também o presidente da câmara de Belgrado, Aleksandar Sapic, anunciou a 11 Dezembro que a cidade não realizará celebrações oficiais na passagem de ano e no Ano Novo sérvio, que se comemora a 13 e 14 de Janeiro. Sapic invocou os problemas de segurança que se verificaram no ano passado como motivo para o cancelamento, nota o Washington Times.
“A maioria das pessoas que vão a estes concertos [de Ano Novo] são crianças com idades entre os 13 e os 15 anos, na sua maioria raparigas. No ano passado, tivemos um caso em que um grupo de pessoas tentou romper a vedação e envolver-se em confrontos com os espectadores”, explicou aos jornalistas.
“Depois do que aconteceu no último Ano Novo, já não quero correr riscos nem pôr qualquer criança em perigo (…). Agora, queriam eles magoar alguém? Não acredito que quisessem magoar. Mas seja o que for que quisessem, não vamos correr esse risco novamente”, afirmou o autarca, citado pelo Serbian Times.
Hong Kong vai também cancelar o habitual espectáculo de fogo-de-artifício no Victoria Harbour, sensivelmente um mês depois do mais mortífero incêndio da história da cidade, ocorrido em Tai Po, em Novembro, noticiou na última semana o South China Morning Post.
O Conselho de Turismo de Hong Kong anunciou que a contagem decrescente de Ano Novo será realizada noutra zona da cidade. “Através deste evento, [o conselho] espera transmitir energia positiva, cuidado e bênçãos de paz tanto aos habitantes locais como aos visitantes, e receber juntos um novo ano cheio de esperança”, afirmou em comunicado.
Não foi apresentada uma razão oficial para o cancelamento do espectáculo de fogo-de-artifício. O incêndio em Tai Po, que começou no complexo residencial Wang Fuk Court a 26 de Novembro e durou 43 horas, causou pelo menos 160 mortes e obrigou ao realojamento de cinco mil residentes.
Na Austrália, apesar de se manterem as habituais celebrações de Ano Novo em Sydney, haverá “uma pausa de um minuto para reflectir sobre o trágico ataque de Bondi”.
“Às 23h, a ponte de baía de Sydney iluminar-se-á de branco e os pilares exibirão uma única palavra: ‘Paz’. Encorajamos todos a juntarem-se a nós, ligando a lanterna do telemóvel e projectando uma luz sobre a baía, como símbolo de solidariedade com a comunidade judaica e com todos os afectados”, lê-se no site oficial do evento.
A 14 de Dezembro, a praia de Bondi, em Sydney, foi palco de um ataque terrorista. Dois homens armados mataram pelo menos 15 pessoas, com outras 38 feridas, incluindo uma criança, na sequência de um massacre “planeado para atingir a comunidade judaica de Sydney”, afirmou o chefe do executivo do estado de Nova Gales do Sul. Com Lusa