Durante a época 2024/2025, a imunização de crianças com menos de dois anos contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) “foi altamente efectiva, reduzindo em 78,5% o risco de hospitalização por infecção” por este vírus. A percentagem, revela um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) publicado recentemente na revista científica Influenza and Other Respiratory Viruses, “aumentou para 82% quando a análise foi limitada às crianças testadas por PCR”.

Segundo dados anteriormente divulgados pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), na campanha 2024/2025 foram imunizadas 86% das crianças elegíveis. Foi a primeira época em que foi recomendada imunização a nível nacional – a Madeira já o tinha feito no ano anterior.

Para este primeiro estudo nacional, que avalia a efectividade do anticorpo monoclonal nirsevimab (nome da substância activa) na prevenção de hospitalizações associadas ao VSR, o Insa contou dados recolhidos em 15 hospitais participantes na Rede Nacional de Vigilância do Vírus Sincicial Respiratório (VigiRSV). O estudo abrangeu um período entre a semana 43/2024 – uma semana após o início da campanha nacional de imunização a 15 de Outubro de 2024 – e a semana 16/2025 (que terminou a 20 de Abril de 2025). E incluiu “apenas crianças elegíveis para imunização de acordo com as orientações nacionais”: bebés nascidos entre 1 de Agosto de 2024 e 31 de Março de 2025; prematuros nascidos entre 1 de Janeiro e 31 de Julho de 2024, com idade gestacional até às 33 semanas e 6 dias e crianças com menos de 24 meses em 30 de Setembro de 2024, com condições médicas associadas a um maior risco de infecção grave por VSR.

Dos 341 participantes (foram hospitalizadas com infecção respiratória aguda grave) incluídos na avaliação, 91,2% não tinham doença crónica conhecida. Deste universo, 137 (40,2%) testaram positivo para VSR. Este grupo e o das 204 crianças que testaram negativo (grupo controlo) “foram semelhantes em termos de sexo, prematuridade, baixo peso à nascença, doenças crónicas e mediana de dias entre a imunização e o início dos sintomas”, refere o documento.

“Em 2024/2025, a eficácia do nirsevimab contra o internamento hospitalar relacionado com o VSR, estimada em Portugal no grupo-alvo de imunização, foi de 78,5%”, concluíram os investigadores, acrescentando que “as análises de sensibilidade revelaram que, entre os participantes testados por PCR (n=255), a eficácia do nirsevimab foi de 82%”.

Os dados da VigiRSV também mostraram “uma diminuição na proporção de casos de VSR em crianças internadas em UCI [unidade de cuidados intensivos] ou que necessitaram de ventilação mecânica (5% em 2024/2025 vs. 13% em 2022/2023 e 10% em 2023/2024)”. Além de uma “redução na proporção de casos de VSR em crianças com menos de 3 meses de idade em comparação com as épocas anteriores (21% vs. 57% em 2022/2023 e 46% em 2023/2024)”.

O documento assinala algumas limitações no estudo, como o facto de a amostra resultar de dados de 15 hospitais e poder não representar na totalidade todas as crianças com menos de dois anos hospitalizadas e ter apenas abrangido a primeira época de imunização nacional.

Os investigadores apontam, além da redução da hospitalização, “o impacto significativo da imunização numa população infantil maioritariamente saudável”. O estudo lembra que entre 2015 e 2018 “registaram-se cerca de 9700 internamentos relacionados com o VSR, na sua maioria em bebés previamente saudáveis, com um custo anual estimado de 2,4 milhões de euros”.

Níveis “baixos” de actividade

De acordo com o último relatório de monitorização da gripe e de outros vírus respiratórios (dias 15 a 21 de Dezembro), publicado pelo Insa, os níveis de actividade de RSV no que se refere aos internamentos em crianças menores de 24 meses são “baixos”. Desde 29 de Setembro “foram reportados 35 novos internamentos por infecção por RSV em crianças menores de 24 meses na rede de vigilância sentinela”.

Destas, refere ainda o relatório, “cinco tinham menos de 3 meses de idade, 17 tinham entre 3 e 11 meses e 13 tinham entre 11 e 23 meses. Três das crianças necessitaram de suporte ventilatório ou internamento em cuidados intensivos”.

A actual campanha de imunização contra o VSR (2025/2026) iniciou-se a 16 de Setembro e decorre até 31 de Março. O objectivo é abranger cerca de 68 mil crianças elegíveis, sendo no primeiro mês e meio da campanha tinham sido imunizadas mais de 30 mil crianças, segundo dados da DGS divulgados no início de Novembro.

A campanha de imunização decorre “nas maternidades públicas, privadas e do sector social para as crianças nascidas entre 16 de Setembro de 2025 e 31 de Março de 2026” e nas “instituições do SNS para as crianças nascidas entre 1 de Junho e 15 de Setembro de 2025, bem como para as crianças com factores de risco definidos”.