O anúncio do novo console trouxe uma realidade que chocou os fãs: os preços da Nintendo atingiram um novo patamar histórico. Com o Switch 2 custando US$ 450 e jogos rompendo a barreira dos US$ 80, a empresa japonesa redefine sua estratégia no mercado global, apostando na força de sua marca.
Os novos preços da Nintendo de US$ 80 são justificáveis?
A barreira histórica de US$ 60, que durou mais de uma década, foi quebrada com o anúncio de títulos como Mario Kart World por US$ 80. Embora pareça um aumento abusivo para o consumidor, especialistas apontam que, se ajustado pela inflação, esse valor ainda é inferior ao custo de cartuchos clássicos nos anos 90, que equivaleriam a mais de US$ 100 hoje.

Além da inflação, os custos de desenvolvimento dispararam. A produção de jogos modernos exige orçamentos bilionários e equipes gigantescas. Esse reajuste reflete a necessidade da indústria de equilibrar as contas diante de superproduções e da possibilidade de novas tarifas comerciais sobre eletrônicos.
Fatores que elevam o custo:
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Inflação Acumulada: O dinheiro vale menos do que há 10 anos.
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Custo de Produção: Jogos AAA agora custam centenas de milhões para serem feitos.
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Tarifas de Importação: Proteção contra possíveis taxas sobre produtos fabricados na China.
Como a estratégia do “Oceano Azul” afeta o seu bolso?
Diferente da Sony e Microsoft, que brigam no “Oceano Vermelho” por hardware de ponta e gráficos realistas, a Nintendo navega no “Oceano Azul”. Ela foca em um nicho próprio de experiências familiares e personagens icônicos, criando um mercado onde não há concorrência direta para Mario ou Zelda.
Essa exclusividade permite que a empresa mantenha seus preços “premium”. Como você não encontra esses jogos no PC ou em outros consoles, a Nintendo detém o controle total da oferta e da demanda, evitando a desvalorização de seus produtos ao longo do tempo e garantindo margens de lucro maiores.
Por que os jogos da marca raramente entram em promoção?
A Nintendo opera com uma lógica semelhante à da Apple: seus produtos são vistos como bens de valor duradouro. Jogos lançados há quase oito anos, como Mario Kart 8 Deluxe, continuam sendo vendidos pelo preço cheio porque a procura não diminui. A empresa evita promoções agressivas para proteger a percepção de qualidade da marca.
Essa postura remonta ao colapso dos videogames de 1983, quando o mercado foi inundado por jogos baratos e ruins. Desde então, a Nintendo foca no “Selo de Qualidade”, preferindo vender menos unidades a um preço mais alto do que desvalorizar sua propriedade intelectual.
Motivos para a ausência de descontos:
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Proteção de Marca: Evitar a banalização dos seus produtos.
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Demanda Constante: Jogos clássicos vendem bem anos após o lançamento.
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Controle de Plataforma: Exclusividade total sobre onde o jogo é vendido.
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Qual o impacto econômico e a reação dos fãs?
Apesar da indignação inicial nas redes sociais, as pré-vendas do novo console esgotaram rapidamente. A Nintendo aposta na lealdade de sua base de fãs, que agora é adulta e possui renda para absorver esses aumentos em troca de entretenimento de qualidade e nostalgia.
Para entender por que a gigante japonesa dos games mantém seus produtos com valores premium mesmo anos após o lançamento, destacamos o conteúdo do Business Insider. O vídeo analisa a estratégia de preços do Switch 2 e de títulos icônicos como Mario Kart, revelando como a Nintendo utiliza a exclusividade e a nostalgia para dominar um dos setores mais competitivos do entretenimento:
No Brasil, o impacto é amplificado pelo câmbio e carga tributária. O comportamento do consumidor diante da inflação e preços altos é monitorado pelo Banco Central do Brasil, que analisa o poder de compra das famílias. Além disso, dados do IBGE sobre o comércio mostram que o setor de serviços e lazer continua a ter peso no orçamento, mesmo com a alta dos preços.