Chega ao fim a trajetória do cometa interestelar 3I/Atlas, que concluiu sua passagem pelo nosso sistema solar e agora segue o curso para outros sistemas planetários.
O visitante, que foi observado durante meses, proporcionou aos cientistas uma janela única para estudar a formação de cometas e a evolução da galáxia.
Por que a passagem do cometa intrigou os especialistas?
O 3I/Atlas apresentou características inesperadas, incluindo um aumento de brilho maior do que o previsto, o que despertou grande interesse entre astrônomos.
A trajetória e a composição do cometa forneceram pistas valiosas sobre os materiais primordiais de sistemas estelares antigos, oferecendo um comparativo com os corpos celestes formados ao redor do Sol.
O 3I/Atlas se destaca por vários motivos. Ele é apenas o terceiro corpo interestelar já registrado atravessando o sistema solar, juntando-se ao 1I/‘Oumuamua, observado em 2017, e ao 2I/Borisov, identificado em 2019.
Além disso, os dados indicam que o objeto pode ter mais de 7 bilhões de anos, o que o torna muito mais antigo que o próprio sistema solar.
Outro aspecto notável é a presença de quantidades significativas de água e gelo, materiais que provavelmente se formaram no chamado disco espesso da Via Láctea, uma região estelar mais antiga do que o disco fino onde o Sol se originou.
Todas essas características tornam o 3I/Atlas um verdadeiro laboratório natural, permitindo que pesquisadores explorem a história da formação de planetas e cometas fora do nosso sistema solar.
O cometa foi monitorado por uma série de instrumentos avançados, como os satélites de observação solar STEREO-A e STEREO-B, o SOHO, observatório solar e heliosférico, e o GOES-19, satélite meteorológico com capacidade de monitoramento astronômico.
Essas observações revelaram que o aumento de brilho do cometa excedeu em muito o esperado, um fenômeno ainda não totalmente explicado, mas que reforça a singularidade do 3I/ATLAS.
Agora, enquanto o cometa retorna para as regiões externas do sistema solar e prossegue sua jornada pela Via Láctea, os dados coletados continuarão a fornecer insights importantes sobre a composição e evolução de corpos interestelares.