Num Natal onde o rei Carlos III pediu união na diversidade, o monarca reflectiu a sua própria mensagem ao incluir as princesas Beatrice e Eugenie no tradicional passeio da família real em Sandringham antes da celebração religiosa. As filhas do ex-príncipe André, recentemente destituído dos seus títulos e afastado das celebrações familiares, mostraram-se indiferentes à polémica do pai pelas suas ligações ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.
O rei Carlos e a rainha Camila lideraram a procissão dos membros seniores da família em Sandringham, a cerca de 175 km a nordeste de Londres, onde cumprimentaram todos os simpatizantes que os esperavam. Logo atrás, seguiam William e Kate, com os três filhos, George, de 12 anos, Charlotte, de 10, e Louis, de 7.
Apesar de os futuros reis fazerem a maioria dos cumprimentos, também acompanhavam outros Windsor, como a princesa Ana e o marido, Tim Laurence; os duques de Edimburgo, Sofia e Eduardo, com os filhos; bem como a sobrinha do rei, Zara, e o marido, Mike Tindall. Em alcateia, ladeavam as princesas Beatrice e Eugenie, de 37 e 35 anos, que têm mantido uma presença contínua nos eventos familiares, apesar da controvérsia em torno do pai, excomungado do Natal familiar.
Curiosamente, em breve, Andrew Mountbatten Windsor, como é agora conhecido o antigo príncipe André, vai mudar-se para uma casa privada na propriedade de Sandringham, onde a família real britânica passa o Natal desde 1988. Este ano, o ex-duque de Iorque terá passado a quadra natalícia com a ex-mulher, Sarah Ferguson, no Royal Lodge, em Windsor, onde ainda vive.
Beatrice e Eugenie, com os maridos Edoardo Mapelli Mozzi e Jack Brooksbank
Hannah McKay/Reuters
O Palácio de Buckingham afirmou que retirar os títulos a André era uma medida necessária proteger a reputação da monarquia, acrescentando que a solidariedade do rei estava com as vítimas de abuso — ainda que Mountbatten Windsor negue as acusações de ter abusado sexualmente da norte-americana Virginia Giuffre (1983-2025).
Carlos e Camila
Hannah McKay/Reuters
Unidade na diversidade
No passeio por Sandringham, a família não comentou a polémica com André e mostrou-se unida, tal como Carlos apregoou no seu discurso, transmitido depois de almoço na televisão. Naquela que é já a sua quarta mensagem anual de Natal, o rei destacou a importância da unidade na diversidade, num momento em que guerras e tensões colocam comunidades em todo o mundo sob pressão. “Com a grande diversidade das nossas comunidades, podemos encontrar a força para garantir que o triunfo sobre o mal”, disse Carlos, de 77 anos.
“Ao conhecer pessoas de diferentes credos, acho encorajador ouvir o quanto temos em comum, um desejo partilhado pela paz e um profundo respeito pela vida”, continuou, recordando a visita de Estado ao Vaticano em Outubro, onde ele e o Papa Leão rezaram juntos na primeira celebração conjunta entre um monarca britânico e um líder católico desde que a Inglaterra se separou de Roma em 1534.
Carlos falou sobre “viajar” e a importância de mostrar bondade às pessoas em movimento — temas que ressoam num momento de intensa preocupação pública com a migração em todo o mundo. As suas palavras foram seguidas por uma apresentação de um coro ucraniano, que usava vyshyvanka, as tradicionais camisas ucranianas bordadas, e do Royal Opera Chorus, com sede em Londres.
O rei tem expressado frequentemente o seu apoio à Ucrânia e, neste ano, recebeu o Presidente Volodymyr Zelenskiy no Castelo de Windsor três vezes, a visita mais recente foi em Outubro.
A mensagem de Natal de Carlos
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Embora constitucionalmente obrigado a permanecer neutro, Carlos tem-se pronunciado repetidamente sobre crises globais, manifestando preocupação com o conflito entre Israel e Gaza e expressando pesar após a violência contra comunidades judaicas, incluindo um ataque a uma sinagoga em Manchester e o tiroteio em Bondi Beach, em Sydney, neste mês.
No discurso do dia de Natal — uma tradição que remonta a 1932 — elogiou ainda os veteranos militares e os trabalhadores humanitários pela sua coragem na adversidade, dizendo que eles lhe deram esperança.
Esperança essa que também terá encontrado no final deste annus horribilis ao anunciar que, depois de anos após o diagnóstico de cancro, vai reduzir os tratamentos no Ano Novo. Mas ainda há feridas a sarar, entre os Windsor, como a reconciliação com o príncipe Harry — neste ano encontraram-se para tomar chá em Setembro, mas não há registo de que mantenham qualquer relação.