Uma massa de gordura, óleos e outros resíduos, com cerca de 100 toneladas e 100 metros de comprimento, ou um “fatberg” (icebergue de gordura, numa tradução informal) foi descoberta nos esgotos de Londres, informou a principal empresa de abastecimento e tratamento de águas residuais do Reino Unido.

A remoção do bloqueio poderá demorar semanas afirmou, em comunicado, a Thames Water. Este caso “serve como um lembrete claro de que o que vai pelo ralo não desaparece”, diz a empresa. A massa de gordura gigante está localizada sob a área de Whitechapel, na zona Leste de Londres, por onde alegadamente andava Jack o Estripador.

A empresa de água e saneamento costuma registar um aumento sazonal de entupimentos, devido às gorduras e óleos dos restos de refeições festivas que são deitadas pelo ralo abaixo nos meses de Dezembro e Janeiro, diz o comunicado. Os custos de desobstrução da canalização devem totalizar desta vez 2,1 milhões de libras (mais de 2,4 milhões de euros), ao longo deste período de dois meses.

Este fenómeno é conhecido como fatberg — uma mistura das palavras inglesas fat (gordura) e berg (de icebergue).

Tim Davies, responsável pelas operações da empresa no Norte de Londres, explicou que o caso “mostra exactamente o que acontece quando gorduras, óleos e toalhitas vão parar aos nossos esgotos — não desaparecem, acumulam-se e causam danos graves”. É um problema que poderia ser evitável, mas o preço acaba por ser pago pelos próprios utilizadores dos serviços da empresa. “O custo de desobstruir bloqueios e reparar esgotos atinge dezenas de milhões de libras todos os anos, e esse dinheiro acaba por sair do bolso dos nossos clientes”, alertou Davies.


Um inquérito recente da Opinion Matters revelou que muitos consumidores descartam substâncias gordurosas pelo lava-loiça, incluindo líquidos de carne (40%), molhos (39%), gorduras animais (18%) e natas (28%). Estes resíduos podem solidificar-se nas canalizações, causando inundações domésticas, poluição de rios e danos ambientais significativos.

Segundo a Thames Water, na sua rede, gorduras e óleos causam mais de 20 mil entupimentos por ano, representando 28% de todos os bloqueios nos esgotos.

A empresa alerta para a importância da consciencialização dos consumidores, especialmente durante a época festiva: “Com o aumento da [actividade na] cozinha, do convívio e da recepção de convidados durante a época festiva, a Thames Water lembra que pequenas mudanças na cozinha (e na casa de banho) podem ajudar a reduzir a pressão sobre os esgotos — e a manter os custos baixos para todos.”

“Manter o Natal fora do ralo”

A empresa forneceu orientações para reduzir o risco de entupimentos, incluindo raspar os restos de comida para o lixo em vez de os colocar no lava-loiça, utilizar coadores nos ralos para impedir que os resíduos desçam pelos canos, não deitar líquidos gordurosos, molhos ou natas pelo lava-loiça.

Na sanita, é importante que sejam apenas descarregados os “três Ps: pee (urina), poo (fezes) e paper (papel higiénico)”, sublinha a Thames Water. Também não se deve descartar toalhitas húmidas, cotonetes ou rolos de papel.

Casos como este são comuns no Reino Unido. A Thames Water considerou este fatberg o ‘neto’ de outro ocorrido em 2017, que pesava 130 toneladas e media mais de 250 metros de comprimento.

Em Março deste ano, outra destas massas de gordura, com cerca de 30 toneladas foi removida de um esgoto na Austrália, tendo sido considerada a maior registada no país.