A fotografia correu o mundo. No dia 12 de dezembro, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, decidiu sair do conforto do gabinete e ir até à linha da frente, mais concretamente a Kupiansk, cidade que a Rússia alegava ter conquistado na totalidade. Com um telemóvel na mão, o líder ucraniano tirou várias selfies, gravou vídeos e visitou os soldados que combatiam nas trincheiras. Para além de dar moral às tropas, esta visita teve um forte efeito mediático. Motivo? Três semanas antes, o líder russo, Vladimir Putin, ouviu da voz do coronel-general Sergei Kuzovlev que a totalidade da cidade estava nas mãos dos russos. O anúncio foi feito na televisão.
A Ucrânia nunca confirmou totalmente essa informação. Apenas garantia que ia resistindo em alguns redutos da cidade. Ao mesmo tempo, as forças ucranianas foram contra-atacando as adversárias e avançando no terreno. Até o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, assegurar, na semana passada, que Kiev controlava “quase 90% do território da cidade” localizada na província de Kharkiv, zona estratégica de extrema importância.
A Rússia continuou a negar quaisquer avanços ucranianos em Kupiansk. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russa, Maria Zakharova, assegurou que a cidade continuava a ser “controlada pelas Forças Armadas russas”. “Destinadas ao fracasso, as tentativas de Kiev para tentar quebrar as defesas foram repelidas e o adversário sofreu perdas pesadas de equipamentos e homens”, denunciava a diplomata. O Presidente russo fez o mesmo: nunca assumiu que a localidade de Kupiansk tivesse sido reconquistada pela Ucrânia.