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Lago Kleifarvatn, na Islândia

Os cientistas estão mais motivados do que nunca para explorar a vida em Marte antigo. E que melhor forma de o fazer do que estudando a geologia da Islândia?

Os rovers robóticos da NASA que andam a passear por Marte forneceram recentemente as melhores provas até hoje da existência de vida passada no planeta vermelho.

Em setembro, a agência espacial norte-americana anunciou a descoberta de prováveis biossinais em Marte: pequenas manchas semelhantes a um padrão de pele de leopardo que, até agora, só se conhecem como resultado da atividade de vida microbiana. É como encontrar um fóssil a 225 milhões de quilómetros de distância.

Agora, os cientistas estão mais motivados do que nunca para explorar a vida em Marte antigo. E que melhor forma de o fazer do que estudar a geologia da Islândia?

É amplamente aceite que Marte já teve uma paisagem hidrológica diversificada. Ou seja, outrora a água corria em rios, lagos e ribeiros.

A câmara do rover Curiosity da NASA revelou algumas descobertas fascinantes em Marte, incluindo indícios de antigos lagos. Mas, na maior parte das vezes, o rover captou sobretudo imagens de intermináveis rochas sedimentares e de uma superfície árida e hostil.

Estes sinais apontam para um passado marciano de águas correntes e atividade vulcânica. Afinal, sem água em movimento, os depósitos sedimentares seriam simplesmente impossíveis, nota o Sciencing.

Por sorte, a geologia da Islândia reproduz na perfeição essas condições antigas de Marte. Como refere Mike Thorpe, do Centro Espacial Goddard da NASA, a Islândia e Marte têm geologias que permitem uma comparação direta.

Os rios frios da Islândia escavam desfiladeiros em basalto, expondo camadas de rocha sedimentar que têm origem em vulcões e foram depositadas por fluxos de água. O mesmo processo geológico ocorreu em Marte, embora há milhares de milhões de anos.

O desafio agora é perceber como ler essas camadas de rocha sedimentar à procura de sinais de vida. A equipa responsável por essa missão chama-se SWIFT (Southwest Iceland Field Team) e tem estado ocupada a recolher amostras da região sudoeste de Stóra Laxá, na Islândia, para desvendar as formas como a vida resiste num ambiente agreste e alienígena.

Procura de vida: uma questão de carbono

Ao compreendermos como a vida funciona na Terra, podemos aplicar esse conhecimento a outros planetas. Para isso, a NASA tem estado a procurar “análogos planetários”, regiões na Terra que se assemelham geologicamente a paisagens extraterrestres.

Por exemplo, a Cratera do Meteoro no Arizona é estudada para perceber as crateras de impacto na Lua, enquanto sismómetros na Gronelândia são usados para investigar os sismos na lua Europa, de Júpiter.

Mas encontrar sinais de vida em Marte é, acima de tudo, uma questão de química. O mais importante é a procura de carbono, o elemento fundamental dos compostos orgânicos e, por isso, da própria vida.

A equipa SWIFT recolheu amostras de fontes hidrotermais, paredes rochosas, leitos de rios e lagos da Islândia nesta pesquisa. A missão envolveu garrafas de mergulho, longas caminhadas e inúmeros recipientes para amostras.

Segundo um vídeo da NASA sobre o projeto, o lago em que a equipa se tem concentrado, o Lago Kleifarvatn, tem uma composição semelhante à dos lagos que provavelmente existiram em Marte há cerca de 4 mil milhões de anos.

Com efeito, o Lago Kleifarvatn é rico em fontes hidrotermais e siltito de grão fino — que também teria sido abundante em Marte no passado.

As amostras recolhidas em Stóra Laxá contêm grandes quantidades de dióxido de carbono, que emerge dos sedimentos dos lagos. É fácil traçar paralelos com os antigos lagos de Marte, e outros compostos encontrados ali também terão provavelmente existido na paisagem marciana do passado.

A geologia da Islândia apresenta compostos orgânicos e inorgânicos, bem como minerais essenciais à vida. Esta investigação é entusiasmante, pois ajuda a traçar um perfil das condições de vida em Marte.

Se a vida consegue resistir às condições extremas da Islândia, não é descabido concluir que poderia também sobreviver ao clima antigo de Marte.

Assim sendo, se acha que não vai viver tempo suficiente para um dia fazer uma escapadinha até ao Planeta Vermelho numa das naves da SpaceX de Elon Musk… pode sempre dar um salto até à Islândia.


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