Ministério da Defesa do Japão

O JS Sogei, o sexto submarino da classe Taigei da Força Marítima de Autodefesa do Japão, foi lançado em outubro de 2025.

O Japão desenvolveu discretamente um novo tipo de submarino que está a mudar as regras da guerra subaquática. O seu trunfo? Um sistema inovador de baterias de iões de lítio, o primeiro do género, que lhe permite ficar submerso durante vários dias mais do que qualquer modelo tradicional.

Em meados de outubro, nos estaleiros de Kobe, o Japão lançou o Sogei, um submarino de ataque da classe Taigei com 3.000 toneladas. À primeira vista, pode parecer uma embarcação híbrida convencional a diesel-elétrico, mas está longe de ser comum.

Em vez das tradicionais baterias de chumbo-ácido, utiliza células de iões de lítio, que oferecem uma densidade energética três a cinco vezes superior. O resultado: uma autonomia subaquática muito mais prolongada e uma dependência significativamente reduzida dos motores a diesel.

Os submarinos convencionais costumam recorrer a um sistema de Propulsão Independente do Ar (AIP), que lhes permite recarregar as baterias sem necessidade de emergir. Mas estes sistemas apresentam dois problemas:  limitam drasticamente tanto a velocidade como a potência.

A classe Taigei elimina por completo essa restrição, baseando-se unicamente no armazenamento de energia em baterias de iões de lítio, o que torna o novo submarino japonês quase tão versátil quanto um movido a energia nuclear., explica a Futura Sciences.

Mas a sua missão é diferente. Operando sobretudo nas imediações das ilhas do Japão, frequentemente sob apertada vigilância aérea e naval da China, o fator determinante é o silêncio, e não o alcance ilimitado.

Estes submarinos conseguem navegar discretamente debaixo de água até 12 dias a baixa velocidade, em contraste com os 3 a 5 dias proporcionados pelos modelos diesel-elétricos convencionais.

A plena potência, o sistema de iões de lítio permite ao Sogei atingir velocidades de 20 nós quando submerso — impressionante para um navio não nuclear. O reverso da medalha, claro, é uma autonomia mais curta a velocidades superiores.

Os benefícios deste design são tanto táticos como económicos. Não havendo reator nuclear, há menos exigências de manutenção e menos restrições de segurança, mantendo-se uma ampla capacidade operacional.

Contudo, integrar baterias de iões de lítio em submarinos não foi tarefa fácil. A marinha japonesa demorou mais de uma década a aperfeiçoar uma arquitetura segura, já que o sobreaquecimento ou combustão a bordo poderia ser catastrófico — não há forma de ventilar ou evacuar.

Outras marinhas continuam a considerar o risco demasiado elevado, mas o Japão já pensa no futuro. Os engenheiros nipónicos estão agora a trabalhar numa nova geração de baterias de estado sólido, cujo lançamento está previsto para cerca de 2030, em que um eletrólito sólido substitui o líquido tradicional.

Estas baterias serão mais leves, eficientes e funcionam a temperaturas mais baixas, eliminando potencialmente a necessidade de sistemas de arrefecimento complexos, o que significa mais espaço para armamento e eletrónica, e um desempenho cada vez mais próximo dos submarinos nucleares — tudo sem recorrer a um reator.

Para já, o projeto mantém-se em fase de investigação, mas a revolução silenciosa do Japão debaixo de água pode em breve redefinir o equilíbrio do poder naval.


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