O segmento da memória RAM encontra-se num estado de disrupção, com preços em alta e uma escassez que se prevê prolongar. Neste cenário turbulento, surgem rumores de que a Asus poderá estar a preparar-se para se tornar um novo interveniente no mercado.
O rumor e o seu contexto
De acordo com informações divulgadas pela Sakhtafzarmag, a gigante taiwanesa Asus estaria a planear a sua entrada no mercado de DRAM, com um lançamento potencial para 2026. Esta informação surge num momento particularmente crítico, com relatórios da indústria a indicarem uma possível escassez de memória RAM até final de 2027.
A fonte em questão tem um historial de fugas de informação credíveis sobre processadores da AMD e Intel, o que confere algum peso ao rumor. Perante um mercado tão atrativo, a movimentação de outra grande empresa de hardware parece plausível.
Com receitas anuais superiores a 18 mil milhões de dólares e uma presença dominante no hardware para PC, desde placas-mãe a portáteis de gaming, a Asus é um peso pesado. A entrada no segmento da RAM seria uma extensão natural do seu portfólio.
Este movimento é ainda mais lógico se considerarmos a recente decisão da Micron de descontinuar a sua marca de consumo, Crucial. A empresa norte-americana optou por focar-se no mercado de centros de dados, mais lucrativo com a explosão da IA, deixando assim um vazio no segmento de retalho que outras marcas poderão preencher.
O modelo Corsair: um possível caminho a seguir pela Asus
A forma mais provável de entrada é espelhando a estratégia da Corsair, uma empresa que não fabrica memórias, mas que as “ensambla”. A Corsair desenha as suas próprias placas de circuito impresso (PCB), sistemas de dissipação e overclocking, e depois solda módulos de memória adquiridos aos três grandes fabricantes: Samsung, SK Hynix e Micron.
Esta é uma abordagem de baixo risco que a Asus já domina noutras áreas, como nas suas placas gráficas, onde utiliza chips da NVIDIA em PCB de desenho próprio. Seria um caminho natural e relativamente seguro.
Analisando as possibilidades, a Asus teria essencialmente três vias para ingressar neste mercado.
- A primeira, como referido, seria tornar-se um “ensamblador” de confiança, comprando os chips aos três grandes.
- A segunda opção, mais arriscada mas potencialmente disruptiva, seria aliar-se a fabricantes emergentes, como a chinesa CXMT – que recentemente validou módulos DDR5 –, contornando assim a cadeia de abastecimento tradicional e as suas limitações.
- A terceira via, a mais complexa e improvável a curto prazo, seria a Asus transformar-se ela própria num fabricante de chips de memória, um processo que exigiria investimentos colossais e know-how que a empresa atualmente não possui.
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