De acordo com Volodymyr Zelensky, a delegação ucraniana está de acordo com “90%” da formulação atual do documento, pelo que entrou na residência de Trump no estado da Flórida com o objetivo de discutir os restantes 10%. Ao lado do seu homólogo norte-americano e diante de dezenas de jornalistas, o Presidente da Ucrânia confirmou que foram discutidos “todos os aspetos” presentes na proposta e, como tal, foram alcançados “grandes progressos”.

“Sobre as garantias de segurança entre os EUA e a Ucrânia concordamos a 100%. As garantias entre a Europa e os EUA estão quase a ser acordadas. Sobre a dimensão do nosso corpo militar estamos 100% de acordo e estamos agora a finalizar o plano de prosperidade. Concordámos em definir as ações futuras”, afirmou Zelensky, confirmando que ficaram agendados contactos entre as duas delegações para a próxima semana. Donald Trump confirmou, também, que a próxima reunião conjunta com os líderes europeus poderá acontecer já no início do próximo ano, mas sem avançar datas. Já o Presidente ucraniano, após a conclusão da conferência de imprensa, anunciou que este encontro seria em Washington, em janeiro.

Não esteve presente nas declarações à imprensa, mas presidente da Comissão Europeia — uma das participantes desta videoconferência —, também assinalou o “bom progresso” alcançado nesta reunião. “A Europa está pronta para continuar a trabalhar com a Ucrânia e com os nossos parceiros dos EUA para consolidar este progresso. Para tal, é fundamental dispor de garantias sólidas de segurança desde o primeiro dia”, escreveu Ursula von der Leyen na rede social X.

Zelensky foi também questionado pelos jornalistas sobre a necessidade previamente mencionada de convocar um referendo para fazer aprovar o plano apresentado pelos Estados Unidos da América. Enquanto o Chefe de Estado ucraniano referia que não seria uma necessidade — apenas “uma das chaves” para fazer aprovar o plano —, mencionando também a possibilidade de vir a ser aprovado com maioria parlamentar, Donald Trump interrompeu o seu homólogo para dizer que acreditava — com base numa sondagem recentemente consultada — que cerca de “91% da população ucraniana vai querer ver o fim da guerra” — seja através de um voto favorável via referendo, ou no parlamento ucraniano.

Nesse sentido, Trump lançou também a possibilidade de falar diretamente ao parlamento da Ucrânia para convencer os deputados a aprovar a proposta norte-americana. “Acho que não seria necessário, mas se ajudasse a salvar 25.000 vidas por mês, que o faria sem problema”.

Volodymyr Zelensky e Donald Trump anunciaram também a criação de um grupo de trabalho composto pelas delegações que estiveram presentes no almoço na residência do Presidente dos Estados Unidos da América, que vão continuar a afinar detalhes sobre a proposta para a paz e, eventualmente, trabalhar com a Rússia para cessar as hostilidades na Ucrânia.

Questionado sobre uma estimativa para o final da guerra, Trump diz que, “no melhor cenário”, o conflito poderá terminar “nas próximas semanas”. No pior cenário, “pode nunca acabar”. “É possível que não aconteça. De qualquer maneira, dentro de algumas semanas saberemos”, afirmou o Presidente norte-americano, que se mantém otimista sobre a conclusão da guerra num futuro próximo.

Sobre a conversa com Putin, Trump voltou a reforçar que foi “muito produtiva” e sublinhou que o Presidente da Rússia também quer paz na região. “Conheço-o muito bem. Nas duas horas de conversa não falámos sobre o tempo”, acrescentou. Questionado sobre se Moscovo terá de assumir algum tipo de responsabilidade e contribuir para a reconstrução da Ucrânia, Trump garantiu que a Rússia “vai ajudar”, porque “querem ver a Ucrânia a ter sucesso”.