As fabricantes de smartphones estão a prestes a ter problemas graves. O custo de um equipamento de topo poderá disparar para valores nunca vistos. A procura de recursos computacionais para alimentar os centros de dados de IA está a provocar uma escassez crítica de componentes, inflacionando o valor dos dispositivos para níveis que o mercado não via há décadas.
A escalada de preços nos smartphones e o impacto da IA
O setor tecnológico enfrenta aquele que se prevê ser o maior aumento de custos de hardware dos últimos 26 anos. O principal catalisador desta subida abrupta não reside numa nova tecnologia revolucionária visível para o utilizador, mas sim no preço da memória RAM. A oferta deste componente vital está a ser consumida pelas necessidades da IA, criando um desequilíbrio na cadeia de distribuição.
Como refere uma análise recente, “a indústria tecnológica está a viver um aumento nos preços dos componentes porque a oferta está a ser devorada pelos novos centros de dados de IA”. As previsões indicam que esta tendência inflacionista não será um evento isolado, devendo manter-se, pelo menos, até 2027.
A estratégia da Samsung e a gestão de crise da Google
A gravidade da situação é tal que já provoca danos estruturais nas gigantes tecnológicas. A Google, na tentativa de segurar a sua linha de produção, adotou medidas drásticas na gestão interna. Relatos indicam que a empresa terá despedido um executivo sénior por falha na garantia de stocks de memória atempadamente, procurando agora recrutar especialistas na Coreia para assegurar o fornecimento.
Simultaneamente, a Samsung debate-se para definir a estratégia da futura série Galaxy S26. A fabricante sul-coreana enfrenta dificuldades em manter os preços competitivos, ponderando mesmo reverter melhorias de hardware, como as câmaras do modelo base, para evitar valores proibitivos ao consumidor. Outras marcas, como a Xiaomi, optaram por antecipar lançamentos de topos de gama para evitar o pico desta crise.
O futuro do iPhone da Apple e a recomendação do mercado
No ecossistema da Apple, o cenário avizinha-se igualmente complexo. Com o desenvolvimento do iPhone 18 e futuros modelos no horizonte, a expectativa é que os custos de produção disparem substancialmente. Rumores recentes apontam que um eventual iPhone dobrável poderá mesmo atingir a barreira psicológica dos 2400 dólares (2040 EUR), um valor que ilustra a nova realidade do mercado premium.
Perante esta instabilidade e a certeza de aumentos iminentes, a leitura dos analistas é pragmática. Os utilizadores que planeiam atualizar o seu equipamento a curto prazo, o momento ideal poderá ser agora. Esperar pelos lançamentos do próximo ano poderá significar pagar significativamente mais pela mesma tecnologia, uma vez que “não há garantia de que os telefones permaneçam com preços razoáveis após o lançamento”.

