Depois de dias de discussão acessa, os membros da comissão de festas decidiram entregar o seu prémio pessoal e o décimo que tinham como organização (um total de dois milhões de euros), para tentar amenizar a situação. O valor não cobre o total em falta, mas os elementos esperam que todos os contemplados possam desfrutar o mais rapidamente possível do seu prémio e que a situação se resolva da “melhor forma possível para todos”.

Foi o que disse o presidente da Câmara de Villamanín, Félix Álvaro Barreales Canseco, em declarações à Europa Press, nas quais indicou que foi estabelecida como condição que os vizinhos e os premiados assumam a perda sem qualquer tipo de denúncia. Isto é, todos os que compraram recebem dinheiro, mas com a divisão a ser feita de forma igual entre todos, com um défice de dois milhões de euros.

No entanto, neste momento, não é possível calcular a perda, porque é necessário saber quantas pessoas vão aceitar o acordo, muito embora o dinheiro tenha de ser depositado no tribunal, onde o juiz fará o pagamento.

Recorde-se que os vizinhos de Villamanín (León) reuniram-se na sexta-feira para debater o pagamento do El Gordo, após o extravio de um talão correspondente aos décimos que tinham sido vendidos. Aparentemente, um talão foi extraviado, pelo que os décimos não foram comunicados à organização.

“Foi isso que aconteceu, nada mais”, afirmou na altura o presidente da Câmara, acrescentando que a comissão de festas não pôde denunciar este assunto porque só depois da realização do sorteio é que se apercebeu que faltava um talão por apresentar. Quando voltou a fazer a contagem após a realização do sorteio, percebeu que havia 50 bilhetes a mais vendidos.

Neste contexto, foi levada à reunião a proposta de reduzir o prémio de cada bilhete em cinco mil euros para que o banco pudesse pagar a todos o montante com esta redução, em vez do montante correspondente.

O vereador de Villamanín mostrou-se “esperançoso” de que se pudesse chegar a este acordo na reunião para que os vizinhos “pelo menos recebessem uma parte”, embora posteriormente pudessem apresentar uma reclamação. A Comissão de Festas, que distribuiu os talões com o número vencedor, convocou essa reunião com o objetivo de informar de forma “transparente” sobre o procedimento de identificação, verificação e cobrança do prémio, bem como sobre “uma situação organizacional imprevista que precisa ser explicada e abordada em conjunto”.

Segundo juristas ouvidos pelo jornal “El Pais”, esta decisão tomada em reunião de braço no ar não tem validade jurídica.