O Governo galego vai reconhecer três percursos culturais que começam em Portugal, no âmbito da criação de uma nova categoria ligada aos Caminhos de Santiago. São eles: o Caminho Cultural de Santiago da Geira e dos Arrieiros e o Caminho Minhoto Ribeiro, ambos com a cidade de Braga como ponto de partida, e o Caminho de Santiago de São Rosendo, que começa em Santo Tirso.
De acordo com o ministro galego da Cultura, Língua e Juventude, José López Campos, a nova categoria tem como objectivo reconhecer percursos que, “embora não preencham todos os critérios exigidos” para serem classificados como Caminho de Santiago, “cumprem os requisitos considerados relevantes para receberem uma atenção especial das administrações públicas”, anuncia a Associação Transfronteiriça do Caminho da Geira e dos Arrieiros.
“São percursos que ligam a história, tradição e património, e especialmente importantes para difundir a cultura e identidade por toda a região”, sublinhou o governante após uma reunião com representantes de municípios galegos, realizada na terça-feira, citado em comunicado.
Entre o grupo inicial de trilhos classificados está o Caminho Cultural de Santiago da Geira e dos Arrieiros, com 239 quilómetros, que arranca junto à Sé de Braga e passa pelos municípios portugueses de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, antes de entrar na Galiza pela Portela do Homem.
O percurso, apresentado em 2017 em Ribadavia (Galiza) e em Braga, e “reconhecido pela Igreja em 2019”, destaca-se por integrar a Geira “mais bem conservada do antigo Império Romano do Ocidente”, assim como o território da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Em oito anos, “estima-se que tenha sido percorrido por, pelo menos, 7634 pessoas”, aponta a associação, indicando que 3176 das quais receberam a compostela, incluindo 757 este ano.
Já o Caminho Minhoto Ribeiro parte também de Braga, atravessando os concelhos de Vila Verde e Ponte da Barca, antes de ramificar-se em dois trilhos possíveis, rumo a Arcos de Valdevez ou em direcção a Ernelo, de acordo com a associação de municípios criada em 2014 para “recuperar, divulgar e alcançar a oficialidade do Caminho Minhoto Ribeiro a Santiago de Compostela”.
O terceiro percurso português a integrar a nova categoria é o Caminho Português de São Rosendo, que parte de Santo Tirso, antes de percorrer os municípios de Famalicão, Guimarães, Braga, Amares e Terras de Bouro, numa extensão de 101 quilómetros, e atravessar a fronteira espanhola rumo a Santiago de Compostela.
São Rosendo, “ou Rudesindus no original em latim”, nasceu em São Miguel do Couto, no concelho de Santo Tirso, em 907, e “desempenhou as mais altas magistraturas”, tornando-se “uma das mais significativas referências espirituais da cristandade medieval”, descrevia a autarquia de Santo Tirso aquando da apresentação do projecto de sinalização do caminho.
Segundo José López Campos, a medida responde às solicitações “dos municípios, associações e entidades que, nos últimos anos, têm realizado um extenso trabalho de documentação para divulgar rotas únicas”, procurando destacar os itinerários que promovem a cultura, o desenvolvimento sustentável e a coesão social em diferentes regiões, “especialmente nas áreas em risco de exclusão cultural devido às suas condições geográficas e sociais”.
A nova categoria vai ser formalizada através de um decreto que visa estabelecer “as medidas específicas de protecção, promoção e apoio”, garantido que os trilhos incluídos recebem “uma atenção especial” das administrações públicas galegas no “planeamento de programas culturais, na atribuição de subsídios e na concepção de iniciativas que valorizem a sua importância”, detalha a nota de imprensa.