Wexin

Imagens de um navio cargueiro em Xangai a transportar contentores com lançadores verticais, sensores e sistemas de autodefesa
Contentores montados em cargueiros chineses, com sistemas de lançamento vertical, radares e armamento de defesa, ostentam as palavras “plano para o renascimento marítimo da nação chinesa e comunidade de futuro partilhado para a humanidade no oceano”.
Imagens de um navio de carga em Xangai, com lançadores verticais, sensores e sistemas de autodefesa instalados em contentores, estão a suscitar debate por demonstrarem, aparentemente, a capacidade chinesa de converter embarcações civis para fins militares.
Segundo o South China Morning Post, as fotografias mostram sistemas de lançamento vertical, radares rotativos de varrimento e de longo alcance e armamento de defesa instalados no topo de contentores num navio de carga.
Esta configuração parece ser uma instalação provisória, aparentemente destinada a transformar o navio mercante num navio de guerra fortemente armado.
Embora a data das fotografias não tenha sido confirmada, o local foi identificado como o estaleiro Hudong-Zhonghua, em Xangai, onde está a ser construído o navio de assalto anfíbio Sichuan Tipo 076, que terá completado este mês a sua segunda prova de mar. Uma das imagens mostra o navio de carga atracado junto ao Sichuan.
Outras fotografias mostram contentores a bordo com uma frase enigmática: “plano para o renascimento marítimo da nação chinesa e comunidade de futuro partilhado para a humanidade no oceano”.
Segundo o SCMP, não há referência, em documentos oficiais de Pequim, ao slogan “renascimento marítimo da nação chinesa”, embora a China persiga o objetivo de se tornar uma “potência marítima”.
A outra parte da frase representa uma extensão marítima do conceito mais abrangente do presidente Xi Jinping de “comunidade de futuro partilhado para a humanidade”.
Na ausência de confirmação oficial e de mais detalhes, alguns utilizadores questionaram nas redes sociais se as imagens mostram de facto uma conversão real de um navio, sugerindo que poderá tratar-se de um cenário para filmagens.
Ainda assim, as fotografias alimentaram especulações entre os analistas militares sobre a capacidade de Pequim para adaptar embarcações civis ao uso militar.
Yue Gang, coronel reformado do Exército de Libertação Popular e comentador militar, diz que o navio de carga fotografado parece transportar um “sistema modular de armas em contentores”.
Se for autêntico, servirá como “plataforma prática de verificação para sistemas de armas em contentores – uma unidade modular de poder de fogo marítimo, facilmente destacável, caracterizada por baixos custos de conversão, rápida capacidade de produção em massa e adequada a cenários de guerra com elevado consumo”, diz o analista.
Yue acrescenta que tanto os EUA como a Rússia já têm experiência operacional com este tipo de sistemas, salientando que os navios mercantes apenas são temporariamente transformados em “plataformas de poder de fogo” em tempo de guerra.
Estas operações podem desbloquear um enorme potencial de defesa, “aproveitando a vasta capacidade chinesa de construção naval para concretizar a sua estratégia única de guerra popular marítima”, afirmou Yue.
Liang Guoliang, analista militar baseado em Hong Kong citado pelo SCMP, considera que o navio retratado poderá ser um protótipo experimental de um navio-armazém modular, com um casco de navio comercial.
“Se for bem-sucedido, será muito melhor do que o antigo método de converter navios comerciais para uso militar, que era mais trabalhoso e dispendioso. Esta conversão modular é muito mais rápida, escalável e cómoda, especialmente se for conjugada com um sistema de comando assistido porIA”, diz Liang.
Segundo Collin Koh, investigador sénior na Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, salienta que imagens de satélite com geolocalização mostraram que o navio, pelo menos, é “legítimo”, enquanto os módulos a bordo “parecem reais, embora possam ser modelos”.
“Tendo em conta as evidências, vejo isto como mais uma faceta da estratégia assimétrica de Pequim, destinada a neutralizar as vantagens militares dos Estados Unidos e seus aliados”, explicau Koh.
“Em vez de construir mais navios de guerra convencionais… pode-se maximizar o potencial ao instalar uma vasta gama de módulos de missão, incluindo armas cinéticas, em diferentes navios comerciais.”
Koh sublinha que este protótipo “ultrapassa o uso típico das marinhas regulares” e poderá ter implicações para o transporte marítimo internacional.